A comissão mista de Paraguai e Brasil reuniu-se nesta semana para discutir o avanço de uma nova fase de abertura do Puente de la Integración, a segunda ponte internacional que liga os dois países. O encontro, que durou várias horas e contou com a participação de representantes de órgãos de controle fronteiriço, serviu para trocar dados sobre a mobilidade na nova passarela e avaliar os próximos passos para ampliar seu funcionamento.
O ministro de Segunda Classe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Daniel Falcon Lins, afirmou que o objetivo é ampliar o funcionamento provisório do Puente de la Integración da maneira mais inteligente possível, com base em informações precisas sobre o volume de tráfego de veículos e de pessoas. Ele adiantou que, na próxima reunião, prevista para 19 de junho, as autoridades deverão anunciar novas medidas relacionadas ao trânsito na ponte, seja em horário ou em tipo de veículos.
Falcon Lins destacou que a posição do governo brasileiro é priorizar o transporte de cargas, o que teria efeito positivo tanto sobre o Puente de la Integración quanto sobre o Puente de la Amistad, que conecta Ciudad del Este a Foz do Iguaçu. "As duas pontes não existem de forma isolada, existem como uma espécie de ecossistema. Tudo o que se faz numa ponte se reflete na outra", disse.
A principal divergência entre os dois países está no pedido paraguai de habilitar o trânsito de veículos leves pela nova ponte. O Brasil resiste-se a essa ideia, alegando que o intenso fluxo de automóveis poderia dificultar o controle fronteiriço. "Às vezes tentas fazer com que as coisas aconteçam, mas não estás preparado para elas e o resultado às vezes é pior. Temos que avançar com cuidado porque se trata de uma questão muito complexa", afirmou o diplomata brasileiro.
Falcon Lins usou uma metáfora para descrever a negociação: "Para bailar se necesitan dos personas. Brasil y Paraguay quieren bailar, pero es necesario que ambos estén de acuerdo. Tenemos que afinar las dos visiones de los tres niveles de gobierno: municipal, departamental y nacional". Ele ressaltou que estão em jogo o bem-estar de turistas, caminhoneiros e aspectos de segurança pública.
Um dos principais obstáculos para a abertura integral do Puente de la Integración é a falta de obras complementares nos dois lados da fronteira. Do lado paraguai, a obra sobre o rio Monday só deve ser concluída para o próximo ano, sendo considerada indispensável para a conexão com o Corredor Metropolitano del Este e a circulação de caminhões. Além disso, a cidade de Presidente Franco não está preparada para o trânsito de veículos pesados em sua zona urbana, e a passagem de caminhões sem carga durante o dia já gerou uma série de inconvenientes nos primeiros meses de operação.
Apesar das dificuldades, o ministro brasileiro se mostrou otimista com o futuro da estrutura. "Em um futuro não tão longe teremos uma ponte que será modelo de funcionamento não só para o Brasil, mas para toda a América do Sul. A qualidade do equipamento que está a ser instalado na ponte, os scanners e os demais equipamentos que estão ali, é de primeira linha", afirmou.
Enquanto isso, comerciantes de Ciudad del Este pedem a intervenção do presidente Santiago Peña para pressionar pela abertura total do Puente de la Integración, argumentando que a ampliação do trânsito beneficiaria a economia local.