Carrinho de bebê preservado em museu no Paraguai conta história de luto e solidariedade no barco Volendam

Um carrinho de bebê preservado no Museo Volendam, no Paraguai, conta a história de Alma Thiessen, que morreu aos seis meses de meningite a bordo do barco holandês Volendam em 1947, e de sua mãe, que, em luto, amamentou a recém-nascida Mari Anne Bergen, garantindo sua sobrevivência.

Na entrada do Museo Volendam, em San José del Rosario, departamento de San Pedro, um carrinho de bebê vindo da Rússia guarda uma das histórias mais comoventes da colonização menonita no Paraguay. O objeto pertenceu a Alma Thiessen, uma menina de seis meses que morreu de meningitis a bordo do barco holandês Volendam, em 1947, e teve que ser entregue ao mar durante a travessia do Atlântico.

A tragédia, no entanto, deu lugar a um gesto de solidariedade que garantiu a sobrevivência de outra criança. A mãe de Alma, ainda em luto e com o carrinho vazio, percebeu que outra passageira, Anganetha Bergen, estava doente demais para amamentar sua própria filha, Mari Anne, de apenas um mês. Com o peito cheio de leite, a mulher que acabara de perder a filha ofereceu alimento à recém-nascida desconhecida. Mari Anne sobreviveu e, aos 79 anos, ainda reside na colonia Volendam.

A história é contada com emoção pela professora Helene Quiring, fundadora e guia do museu, que recebe visitantes no local. "Este é o nosso relato que sempre queremos contar ao entrar", disse ela, ao mostrar a foto de Mari Anne e o carrinho que as duas famílias acabaram compartilhando.

O Museo Volendam funciona no que antes era uma escola secundária, com piso original de madeira de 1967. O acervo reúne objetos trazidos pelos colonos — vindos tanto da Alemanha quanto da Rússia —, além de fotografias dos primeiros moradores, a primeira balança usada na cooperativa, uma caixa forte fabricada no serraria local, prensa de queijo, máquina de lavar roupa de madeira, harmônica, aparelho de cinema utilizado em veladas culturais e até a campanha do internado estudantil.

Os refugiados que fundaram a colonia Volendam chegaram ao Paraguay há 79 anos, fugindo da Segunda Guerra Mundial e do comunismo. Foram organizados pelo Comité Central Mennonita (MCC), com sede nos Estados Unidos, que comprou da associação argentina "Teves" 25.000 hectares de terra para o assentamento. O Paraguay foi o único país que aceitou o grupo, sem distinção de idade ou condição de saúde.

As visitas ao museu podem ser agendadas com Helene Quiring pelo telefone (0984) 241 110 ou com María Wiebe pelo (0974) 104 841.

Fontes (1)

Atualizado: 7 de jun. de 2026, 11:16