As queimadas prescritas são uma ferramenta de manejo controlado do fogo, planejada e executada por especialistas sob condições específicas de temperatura, vento e umidade. Diferente de um incêndio sem controle, trata-se de uma técnica para eliminar pastagens, galhos e materiais lenhosos em terrenos agrícolas, limpar vegetação para construção de estradas ou cercas e reduzir o acúmulo de material combustível.
O manejo integral do fogo se divide em três etapas: a prevenção para evitar o uso descontrolado, o uso regulado como ferramenta de desenvolvimento humano e o combate direto quando a emergência já está instalada. “Mais de 95% dos incêndios florestais são causados pelo homem, porque é muito fácil, tudo que preciso é um isqueiro e pronto, posso provocar um desastre”, afirmou um especialista.
O Instituto Florestal Nacional (Infona) e a brigada de bombeiros florestais da Hotshot realizaram um taller prático para líderes de opinião na colônia Volendam, distrito de San José del Rosario, no Departamento de San Pedro. Durante a demonstração de queima controlada, foi utilizada uma mistura de gasóleo e nafta.
Um especialista recordou a atuação da equipe em um incêndio de grandes proporções na Isla Susu, entre os distritos de Yuty e Fulgencio Yegros, no Departamento de Caazapá. “Foi um trabalho bastante duro, mas tivemos êxito. O incêndio durou entre 7 e 10 dias. Inicialmente achamos que estava controlado, mas não estava totalmente”, detalhou.
O especialista alertou que adiar o uso controlado do fogo só agrava o risco. “Quanto mais tempo deixarmos de usar o fogo, mais combustível se acumula e, quando houver um incêndio, será um desastre. Temos que nos acostumar a conviver com o fogo para evitar que ele nos destrua”, acrescentou, citando um cientista norte-americano que advertiu que não usar fogo no lugar e momento corretos significa tê-lo no lugar e momento errados.
Os elementos indispensáveis para o combatente florestal incluem roupas em cores vivas, como laranja e amarelo, que facilitam a visualização, enquanto os tecidos com tratamento retardante de chamas oferecem resistência ao fogo sem serem totalmente antichamas. O capacete é projetado especificamente para atividade em bosques e pastagens, e as luvas de couro com costura dupla e reforço permitem operar ferramentas com segurança.
Destaca-se ainda o uso de polainas para proteger as pernas contra galhos, espinhos e mordeduras de serpentes, comuns no trabalho florestal durante o verão. As bandanas protegem as vias aéreas e parte das orelhas, região com gordura que pode queimar rapidamente. “Insistimos muito nos melhores equipamentos de proteção individual porque a melhor ferramenta que temos para trabalhar somos nós mesmos. Se nossa própria ferramenta não está protegida, não vai render”, concluiu um especialista.