A Prefeitura de Assunção, sob gestão de Luis Bello (ANR-cartista), fechou nesta segunda-feira, 18 de maio, um trecho da rua Presbítero Justo Román, entre a avenida Augusto Roa Bastos e a rua Comandante Luis González. O bloqueio, que deve durar 45 dias, faz parte das obras de drenagem pluvial na bacia de Santo Domingo, mas agrava o caos no trânsito da região.
Os bairros Manorá e Santo Domingo, duas das áreas mais valorizadas da capital, ficam ainda mais isolados. A avenida Augusto Roa Bastos, que já opera em mão dupla para absorver o fluxo, não suporta o volume de veículos. Com o novo fechamento, motoristas perdem a última via que conectava os dois bairros de forma fluida.
A principal rota alternativa será a avenida Federación Rusa, em frente ao Banco Central do Paraguai (BCP), que deve se tornar um gargalo. A Polícia Municipal de Trânsito (PMT) orienta desvios complexos, mas moradores e comerciantes da região relatam queda drástica nas vendas e dificuldades para acessar garagens, em meio a valas abertas e entulho.
O projeto de drenagem foi prometido pelo ex-prefeito Óscar “Nenecho” Rodríguez (ANR-cartista), com recursos dos títulos G8, emitidos em 2022 para infraestrutura. Segundo o relatório final do interventor Carlos Pereira, a gestão de Rodríguez desviou 512 bilhões de guaranis desses títulos para pagar salários e despesas correntes, em vez de investir nas obras. Das oito bacias prometidas, apenas quatro começaram e nenhuma foi concluída.
O contrato da obra de Santo Domingo foi adjudicado ao Consórcio Pluvial Santos (Chaves Construções e Covipa), representado por Óscar Antonio Rubiani, no valor de 72,389 bilhões de guaranis. Até agora, foram pagos 14,798 bilhões, segundo a Direção Nacional de Contratações (DNCP). O prazo inicial de um ano venceu em março passado.
Rodríguez renunciou em agosto de 2025, pressionado pelo relatório da intervenção, e responde a oito processos criminais, incluindo acusações de associação criminosa e lesão de confiança no caso dos “detergentes de ouro”. Apesar disso, ele é candidato a vereador.
A atual gestão de Luis Bello enfrenta ainda uma crise financeira: entre maio de 2025 e março de 2026, a prefeitura acumulou mais de 81 bilhões de guaranis em juros vencidos e não pagos aos detentores dos títulos, que agora exigem outros 9 bilhões em juros punitivos e ameaçam ações legais.