A paciencia dos condutores de Assunção chegou ao limite. O microcentro da capital paraguaia está tomado por buracos profundos, bueiros destruídos e água parada, transformando ruas em armadilhas perigosas para veículos e pedestres. Na esquina da 15 de Agosto com República de Colombia, um dreno pluvial desabou, deixando vergalhões de ferro expostos e enferrujados, que rasgam pneus e ameaçam a segurança de quem passa. Ali, o asfalto desapareceu por completo, restando apenas uma sucessão de crateras alagadas.
A situação se repete na avenida Ygatimí, especialmente no cruzamento com Montevideo, onde o pavimento se desintegrou devido a vazamentos constantes de canos da Empresa de Serviços Sanitários (Essap). A água acumulada e os desníveis deformam a pista, representando risco para motociclistas. No trecho entre Colón e Hernandarias, longas fileiras de buracos ocupam a calçada principal, muitos deles cheios de água que esconde a profundidade real.
O que mais indigna os contribuintes é o contraste entre o abandono e os gastos públicos. Em 2025, as administrações de Óscar Rodríguez e Luis Bello tiveram US$ 18,2 milhões destinados a tapa-buracos, valor que não se refletiu na realidade das ruas. O intendente Bello mantém o modelo de “autobombo” com o plano Asu 400, criticado por gerar mais reclamações do que soluções. Além disso, a prefeitura avança lentamente em projetos de drenagem pluvial, metade do que Rodríguez prometera com os bônus G8 de 2022.
Carlos Pereira, interventor da gestão anterior, documentou que Rodríguez desviou G. 512 bilhões dos bônus para salários e outras despesas correntes, em vez de investir em drenagem. Das oito obras prometidas, apenas quatro foram iniciadas e nenhuma concluída. Sob pressão, Rodríguez renunciou em agosto, e Bello assumiu o cargo.