Comissão do Senado encaminha à PF relatório sobre fraude que lesou 46 funcionários do Hospital de Clínicas

A Comissão Especial do Senado encaminhou à Polícia Federal um relatório detalhando um esquema de fraude que, por mais de uma década, lesou 46 funcionários do Hospital de Clínicas através da extinta Amuclin, com pagarés renegociados e adulterados para forçar ações judiciais contra as vítimas.

Comissão do Senado encaminha à PF relatório sobre fraude que lesou 46 funcionários do Hospital de Clínicas
Ilustração gerada por IA.

A Comissão Especial do Senado que investiga a chamada "máfia dos pagarés" encaminhou ao Ministério Público um relatório detalhando 46 casos de enfermeiros e funcionários do Hospital de Clínicas supostamente vítimas de um esquema de fraude que durou mais de uma década. As vítimas, que acessaram créditos ou compraram produtos através da extinta Associação Mutual do Hospital de Clínicas (Amuclin), tiveram os pagamentos descontados em folha, mas foram posteriormente processadas judicialmente por dívidas já quitadas.

O esquema, segundo a investigação parlamentar, envolvia a revenda dos pagarés originalmente firmados com a Amuclin. Os documentos, que eram "à vista", tinham datas de vencimento inseridas irregularmente e os endereços dos devedores eram adulterados para o do próprio Hospital de Clínicas, fazendo com que as notificações judiciais nunca chegassem aos verdadeiros destinatários, muitos já aposentados. Essa prática forçava a "rebeldia" das vítimas nos processos.

A rede descrita pela comissão teria sido formada pela então presidente da Amuclin, Clara Benítez, pelos advogados Lourdes Aranda e Carlos Enrique Lara, e pelo casal Julia Mabel Acosta Rojas e Fabio Ubaldo Molinas. Enquanto a advogada Lourdes Aranda promovia as ações judiciais, Fabio Molinas atuava como oficial de justiça para executar os embargos e também aparecia como demandante, após receber a cessão dos créditos. Sua esposa, Julia Acosta, era a destinatária dos direitos dos processos.

O relatório aponta ainda uma falha institucional: o Hospital de Clínicas, vinculado à Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nacional de Assunção (FCM-UNA), autorizava o desconto em folha sem registrar os nomes das entidades credoras, o que impossibilitava os funcionários de comprovar o pagamento. Em alguns casos, a própria direção da faculdade negava o acesso aos extratos salariais antigos.

O fiscal de Delitos Econômicos, Luis Piñánez, que já havia imputado a advogada Lourdes Aranda, recebeu o novo dossiê. Ele tem até agosto para decidir se oferece denúncia contra ela, pedindo a abertura de júri oral. Os valores envolvidos nos processos fraudulentos chegaram a quase 30 milhões de guaranis em movimentações individuais, deixando as vítimas em situação de "asfixia econômica".

Fontes (1)

Atualizado: 3 de jul. de 2026, 07:46