Câmara dos Deputados do Paraguai rejeita pedido de auditoria nos Juzgados de Paz do Paraguai por suposto esquema de usura com notas promissórias

A Câmara dos Deputados do Paraguai rejeitou o pedido de auditoria nos Juzgados de Paz do Paraguai relacionado ao suposto esquema de usura com notas promissórias, e o projeto foi encaminhado a comissões para estudo devido a questionamentos sobre sua redação.

Câmara dos Deputados do Paraguai rejeita pedido de auditoria nos Juzgados de Paz do Paraguai por suposto esquema de usura com notas promissórias
Ilustração gerada por IA.

A Câmara dos Deputados do Paraguai não avançou com um pedido de intervenção e auditoria nos Juzgados de Paz do Paraguai diante das denúncias ligadas ao suposto esquema de usura com notas promissórias. O projeto de declaração apresentado pelo deputado oposicionista Miguel Martínez foi encaminhado a várias comissões para estudo após questionamentos sobre sua redação.

A proposta pedia à Corte Suprema de Justiça que ordenasse, com urgência, uma auditoria de gestão sobre os juícios executivos de pagarés nos Juzgados de Paz de todo o país, com o objetivo de desarticular o que o texto qualifica como esquema de usura judicializada. Em sua justificativa, Martínez afirmou que o país está “órfão de justiça” e que não apenas os camponeses são vítimas de fraudes. “Solicito à Corte que audite os Juzgados de Paz e que se faça justiça, que coloquem todos os meios para encontrar um mecanismo. A situação é grave”, declarou.

O documento argumenta que reportagens recentes teriam exposto uma organização de usura que utiliza os Juzgados de Paz como braço executor para embargos abusivos contra a população, prática que, segundo a proposta, “desvirtua a função jurisdicional e coloca as famílias em situação de indefensão econômica”. A iniciativa sustenta que a Corte Suprema, em uso de sua faculdade constitucional de superintendência, teria o dever de auditar magistrados e servidores que permitiriam esse sistema.

Durante a sessão, o líder da bancada cartista, Miguel Del Puerto, reconheceu que o acápite do projeto lhe pareceu bem formulado, mas fez observações ao articulado. “O acápite me gusta. Hermoso é o acápite”. No entanto, afirmou que encontrou problemas na redação e defendeu mais responsabilidade na elaboração da proposta. Sem parecer conclusivo, o projeto foi enviado à comissão, conforme Del Puerto defendeu.

O caso tem implicações para o Estado de Direito e o clima de investimentos no Paraguai, uma vez que a percepção de que o Judiciário pode ser instrumentalizado por esquemas de usura abala a confiança de investidores e de cidadãos na supervisão judicial e na segurança jurídica do país.

Fontes (1)

Atualizado: 25 de jun. de 2026, 09:00