O avanço do acesso à internet está acelerando mudanças no consumo, nos pagamentos e no entretenimento no Paraguai. Em 2025, cerca de 85% da população utilizou a rede, segundo um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE), órgão responsável pelas estatísticas oficiais do país.
O comércio eletrônico aparece entre os segmentos de maior expansão. Dados da Câmara Paraguaia de Meios de Pagamento (CPMP) indicam que o número de transações se multiplicou por nove em cinco anos: foram 4,45 milhões em 2022, e a projeção para 2026 supera 40 milhões.
O comportamento dos consumidores também mudou. Oito em cada dez paraguaios que compram pela internet fazem pedidos em lojas locais e usam ferramentas digitais, incluindo inteligência artificial, para pesquisar e comparar produtos. A pesquisa anual E-Commerce Data Library para a América Latina aponta que alimentos e bebidas representam 40% dos itens mais vendidos nas lojas paraguaias. Outros 64% se dividem igualmente entre eletrodomésticos e assinaturas de serviços como Netflix, YouTube e Spotify.
Entre as plataformas estrangeiras, a AliExpress liderou em visitas no país em 2025, com mais de 7 milhões. Amazon e Ikea apareceram na sequência, com 1 milhão de visitantes cada uma. Os números mostram a convivência entre o varejo local em expansão e a forte presença de marketplaces internacionais.
Na área financeira, a tecnologia vem ampliando o uso de carteiras digitais e pagamentos por códigos QR, alternativas de baixo custo especialmente para micro e pequenas empresas. Também avançam modalidades de crédito digital, como crowdlending e factoring, voltadas ao financiamento de pequenas e médias empresas e de grupos com menor acesso ao sistema tradicional.
A Lei nº 7.503, que institui o Sistema Nacional de Pagamentos, ampliou a supervisão do Banco Central do Paraguai (BCP) sobre empresas de tecnologia financeira e estabeleceu a interoperabilidade como eixo do sistema. Na prática, a regra busca permitir a comunicação entre diferentes plataformas e estimular a concorrência, embora o tamanho do mercado paraguaio ainda limite sua participação regional. O setor representa 0,98% do mercado fintech da América Latina, contra 24% do Brasil, 20% do México e 13% da Colômbia, conforme dados atribuídos ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Os jogos de azar e as apostas esportivas também ganharam espaço no ambiente digital. A Comissão Nacional de Jogos de Azar (Conajzar), órgão estatal que licencia e fiscaliza o setor, passou a considerar expressamente o canal on-line no marco regulatório. Operadores afirmam que partidas da Seleção Paraguaia podem elevar em até 30% o movimento durante o Mundial de 2026, mas essa estimativa é uma projeção comercial, não uma medição independente.
Para Diego García, presidente da Câmara Paraguaia de Fintech, a mudança já alterou a rotina dos estabelecimentos: “Hoje, resulta impensável depender exclusivamente do dinheiro em espécie ou considerar que a única forma de comprar um produto seja em uma loja física”.
