Documentos apresentados pelo advogado Óscar Tuma sustentam que Basilio Núñez, presidente do Congresso do Paraguai, é médico cirurgião formado pela Universidad Nacional del Nordeste, na Argentina, em 1996. A documentação, porém, ainda não comprova a alegada especialização do senador em neurocirurgia.
Entre os registros divulgados estão o diploma emitido em outubro de 1996, a legalização do título no Paraguai e sua inscrição na Universidad Nacional de Asunción (UNA), em 26 de fevereiro de 1997, pela Resolução nº 391. Também foi apresentada uma resolução do Ministério da Saúde Pública e do Bem-Estar Social de 2004 que contratou Núñez como médico cirurgião de plantão no então Centro de Emergencias Médicas Luis María Argaña, com carga de 120 horas mensais. Outro documento registra sua renúncia, em 2006, à XV Região Sanitária de Presidente Hayes.
Esses documentos sustentam a graduação em Medicina e sua atuação profissional no serviço público. Não foram exibidos, contudo, certificado de especialista, registro de residência ou diploma específico de neurocirurgia.
A controvérsia foi reacendida por Aníbal Filártiga, ex-diretor do Hospital de Trauma e ex-decano da Faculdade de Ciências Médicas da UNA. Em entrevista ao programa Zona Franca, ele afirmou ter consultado o então decano da Faculdade de Medicina da Universidad Nacional del Nordeste e disse ter recebido como resposta que não havia registro de título em nome de Núñez. Filártiga também declarou que o senador não teria atuado como neurocirurgião de forma comprovada. A alegação sobre a suposta ausência de registro não foi acompanhada, nos materiais divulgados, por um documento da universidade argentina.
Núñez levou o caso à Mesa Diretora do Senado e afirmou ter solicitado ao setor de Recursos Humanos do Centro de Emergencias Médicas o contrato que, segundo ele, comprovaria sua atuação como neurocirurgião de plantão entre 2004 e 2006. Também disse ter procurado a Sociedade Paraguaia de Neurocirurgia para obter documentos sobre sua acreditação. “Se ele tem outra informação, que faça a denúncia correspondente”, declarou, em referência a Filártiga. O senador relatou ainda que seu filho de 15 anos lhe perguntou se ele era médico após a repercussão das acusações.
A disputa ocorre enquanto o Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed), entidade que representa profissionais do setor público, mantém a convocação de uma greve nacional para 21 e 22 de setembro. A categoria reivindica reajuste salarial, pagamento dobrado em feriados, contratação de mais profissionais e abastecimento de medicamentos e insumos.
Núñez defendeu o diálogo e alertou que a saída de especialistas pode afetar áreas como terapia intensiva neonatal e cirurgia pediátrica. O presidente do Congresso também voltou a propor cortes em despesas públicas, incluindo gastos com viagens do Parlamento, para redirecionar recursos à saúde. A paralisação e as renúncias anunciadas por especialistas aumentam a pressão sobre o governo, mas não resolvem a questão documental sobre a especialização do senador.
