Disputa por a vice de 2028 expõe limites à liderança de Cartes no Honor Colorado

A disputa pela indicação do vice para 2028 levou Pedro Alliana a rejeitar imposições de Horacio Cartes e expôs tensões e novos centros de poder dentro do Honor Colorado, que adia a definição até depois das eleições municipais de 4 de outubro.

Disputa por a vice de 2028 expõe limites à liderança de Cartes no Honor Colorado

A disputa pela escolha do candidato a vice-presidente para 2028 expôs uma tensão inédita dentro do Honor Colorado, movimento do Partido Colorado (ANR) liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes. O vice-presidente Pedro Alliana reafirmou que continuará como pré-candidato à Presidência, mas disse que não aceitará que lhe imponham o companheiro de chapa e que só anunciará sua decisão depois das eleições municipais de 4 de outubro.

A crise começou quando Cartes anunciou publicamente o ministro do Urbanismo, Habitação e Habitat, Juan Carlos Baruja, como candidato a vice. Alliana, porém, afirmou que havia um acordo para deixar a definição para depois da disputa municipal. Após uma reunião reservada com Cartes, reconheceu que os dois tinham diferenças e declarou: “Não vou aceitar nenhuma imposição”. Também advertiu que, se sua autonomia não for respeitada, poderá “seguir seu próprio caminho”.

Baruja tentou reduzir o conflito. Disse que a preferência de Cartes não representa uma imposição, mas uma indicação legítima, e afirmou que respeitará qualquer decisão de Alliana. O ministro também reconheceu que diferentes setores do movimento apresentam nomes próprios: deputados citam Raúl Latorre, presidente da Câmara dos Deputados; senadores apoiam Baruja; e governadores defendem César “Cesarito” Sosa, governador de Guairá e presidente do Conselho de Governadores.

A reação pública confirmou que a divergência não se limita à escolha da chapa. Os senadores Gustavo Leite e Antonio Barrios, ambos próximos de Cartes, publicaram simultaneamente em suas contas no X a mesma frase e a mesma imagem: “Falei com o líder Horacio Cartes e Honor Colorado continua mais forte do que nunca!!!”. Barrios, no entanto, admitiu que há uma “calma tensa” no movimento e que existem muitas discrepâncias.

O presidente Santiago Peña negou a existência de um “peñismo” e disse que tanto ele quanto Alliana continuam no Honor Colorado. Afirmou ainda que sua relação com Cartes “está bem” e que a prioridade deve ser a eleição municipal. Sosa também rejeitou, por enquanto, a existência de facções separadas, mas defendeu uma mesa de diálogo com senadores, deputados, governadores e dirigentes de base.

Derlis Maidana, senador do grupo governista, reconheceu que os governadores se aproximaram mais de Peña porque Cartes demonstrou preferência por Baruja, enquanto eles apoiam Sosa. Para o cientista político Esteban Caballero, ouvido pelo jornal Última Hora, as diferenças parecem reais, e não uma estratégia planejada para apresentar Alliana como um líder autônomo. A avaliação contrasta com a leitura do oposicionista Efraín Alegre, que classificou o episódio como um possível “velho show”; essa interpretação não foi comprovada de forma independente.

O conflito ocorre enquanto o partido tenta concentrar sua estrutura nas municipais de 4 de outubro. A definição formal da chapa presidencial deverá passar pelas internas previstas para dezembro de 2027, antes das eleições gerais de 2028. Até lá, o Honor Colorado mantém publicamente a candidatura de Alliana, mas a disputa pela vice-presidência revelou limites à autoridade de Cartes e abriu espaço para novos centros de poder dentro do oficialismo.

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Fontes (22)

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