O endividamento público do Paraguai atingiu US$ 21,947 bilhões no primeiro semestre de 2026, com 83,5% desse valor concentrado em obrigações externas. Segundo dados do Ministério da Economia e Finanças (MEF), a dívida da Administração Central chegou a US$ 19,222 bilhões, representando 30,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Desde 2024, o saldo da dívida pública cresceu 21,4%, impulsionado tanto pelo aumento das obrigações externas quanto internas. Enquanto a dívida externa subiu 16,6% no período, a interna avançou 53,1%, refletindo a estratégia de desdolarização iniciada em 2023. Ainda assim, 73% da dívida da Administração Central permanece denominada em dólares, principalmente por empréstimos com organismos multilaterais e emissões soberanas.
No mercado financeiro, os créditos em dólar também registraram expansão acelerada. No primeiro semestre, a carteira de empréstimos em moeda estrangeira cresceu ao dobro do ritmo dos financiamentos em guaranis, segundo análise de dados do setor. O movimento é liderado por setores exportadores, como agropecuária e comércio exterior, que buscam reduzir o risco cambial ao alinhar a moeda de seus recebíveis com a das dívidas.
Em contrapartida, os empréstimos em guaranis seguem impulsionados pelo consumo interno, habitação e serviços, refletindo a demanda de famílias e empresas voltadas ao mercado local. Especialistas alertam, porém, que o endividamento em dólar exige cautela para quem não tem receitas na mesma moeda, devido ao risco de desvalorização do guaranis.
A estabilidade relativa do câmbio no primeiro semestre favoreceu a tomada de crédito em dólar, mas a volatilidade internacional ou mudanças nas condições financeiras globais podem reverter essa tendência. Enquanto isso, o sistema bancário mantém liquidez para financiar tanto o setor exportador quanto o mercado interno, adaptando suas estratégias à moeda de cada segmento.
