O analista político paraguaio Esteban Caballero Carrizosa afirmou que a relação entre Estados Unidos e China é marcada por uma interdependência profunda, que impede um rompimento fácil, apesar das tensões geopolíticas. A declaração foi feita no episódio 102 do podcast Timore, após a reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em Pequim.
Caballero Carrizosa traçou um histórico da relação bilateral desde o pós-Segunda Guerra Mundial, quando os EUA emergiam como potência global e a China enfrentava graves dificuldades. “Desde então, podemos dizer que é uma relação em que a China gradualmente se aproxima dos padrões de uma potência mundial, que hoje pode contestar os Estados Unidos ou se considerar quase um par em termos de poderio militar, econômico e influência no mundo”, explicou.
O analista destacou que a nova bipolaridade em gestação se caracteriza por um forte intercâmbio e complementaridade. “Essa bipolaridade nova que está se gestando entre China e Estados Unidos se caracteriza por ser uma situação em que as duas potências têm uma relação de intercâmbio muito importante e têm uma relação de interdependência muito importante”, pontuou. Ele acrescentou que ambos estão envolvidos em uma relação tensa, “mas que ao mesmo tempo não podem romper facilmente”, pois dependem mutuamente.
Entre as principais fricções, Caballero Carrizosa citou a guerra comercial e a guerra tecnológica, além de questões geopolíticas. Sobre o Paraguai, observou que o país mantém uma posição singular na América do Sul ao continuar reconhecendo e trabalhando com Taiwan, em vez da China continental.