O Frente Guasú, coalizão de esquerda, emitiu um comunicado nesta quarta-feira (20) alertando que a política externa do presidente Santiago Peña está “entregando o porvir nacional” ao manter relações diplomáticas exclusivas com Taiwã, enquanto os Estados Unidos se aproximam da China. Para a agremiação, o Paraguai segue na contramão da história ao ser o único país da América do Sul a não reconhecer a República Popular da China.
No documento, o Frente Guasú destaca que até as Nações Unidas consideram Taiwã uma província chinesa e que o próprio presidente dos EUA, Donald Trump, participou de uma cúpula em Pequim com o líder chinês, Xi Jinping. “Depois de derramar elogios ao governante chinês, Trump declarou sem rodeios que, daqui em diante, se desentenderá das intenções de Taiwã de lograr sua independência”, afirma o texto.
Em contrapartida, Peña mantém sua posição com Taiwã, dando as costas a uma economia que pode se tornar a maior do mundo. O Frente Guasú classifica a política internacional paraguaia como “obsoleta” e capaz de levar o país ao atraso. “A República Popular da China, por ser o país mais industrializado do mundo, é a maior compradora de matérias-primas. Nosso país, de produção eminentemente primária, poderia ter um gigantesco mercado para seus produtos, mas hoje precisa recorrer à triangulação, o que implica enorme desvantagem em relação a países da região que têm relações diplomáticas com o gigante asiático”, ressalta o comunicado.
A coalizão de esquerda pede que o presidente inicie a mudança de sua política antes que seja tarde demais. “O Frente Guasú, consequente com sua política de priorização dos interesses nacionais, exige ao governo de Santiago Peña, antes que seja demasiado tarde, revisar sua política internacional e estabelecer relações diplomáticas com a que já é a primeira potência mundial, antes que a China seja unificada e fique confirmada a condição de província de Taiwã”, conclui.