Estudo genético localiza domesticação do algodão na península de Yucatán

Pesquisa liderada pela Universidade Estadual de Iowa, publicada na PNAS, aponta que o algodão cultivado foi domesticado na península de Yucatán, México, a partir de formas perenes que deram origem às variedades anuais modernas.

Um estudo genético publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) identificou a península de Yucatán, no México, como o centro de domesticação do algodão cultivado (Gossypium hirsutum), a fonte mais importante de fibra têxtil natural do mundo. A pesquisa, liderada pela Universidade Estadual de Iowa (EUA), analisou amostras de populações silvestres de algodão na Flórida, em Yucatán e nas ilhas caribenhas de Porto Rico e Guadalupe.

Os resultados indicam que a domesticação foi um processo gradual, marcado pelo acúmulo de mutações ao longo do tempo, e não por mudanças rápidas como ocorre em outros cultivos. As análises filogenômicas e de estrutura populacional confirmam que o noroeste de Yucatán abriga a maior diversidade genética, enquanto as populações do nordeste da península e do Caribe são menores e mais dispersas, embora mantenham focos únicos de variabilidade.

O estudo quantificou a diversidade genética nas populações silvestres e revelou a origem do acervo genético cultivado, os gargalos genéticos que acompanharam a domesticação e os possíveis processos ecológicos e antropogênicos que moldaram a distribuição atual do algodão. A pesquisa sugere que as formas perenes originais deram origem, posteriormente, aos cultivos anuais modernos.