O juiz penal de garantias Humberto Otazú decidiu elevar a júri oral e público o processo conhecido como 'Mafia dos Pagarés', que envolve a ex-juíza de paz do distrito de San Roque, Liliana González de Bristot, e outros dez acusados. A resolução foi tomada durante audiência preliminar, na qual o magistrado rejeitou os questionamentos das defesas e negou pedidos de suspensão condicional do procedimento para cinco dos principais implicados.
Entre os que tiveram a solicitação recusada estão os advogados Pedro Olmedo, representante da Serfin S.A., Félix Oscar Gill, da Cobranzas Eficientes y Oportunas S.A., e Carlos Agüero, da LAB S.A., além da ex-oficial de justiça Paola Vargas e do ex-ujier Líder Benegas. Otazú considerou a gravidade das condutas e, no caso de Benegas, a repetição de atos supostamente delituosos dentro do esquema.
Na mesma diligência, o ex-oficial de justiça Óscar Frutos admitiu sua responsabilidade no esquema fraudulento e recebeu a primeira condenação do caso, por meio de procedimento abreviado. A sentença fixou dois anos de prisão, com suspensão da execução da pena mediante regras de conduta, e determinou o pagamento de 36 milhões de guaranis a título de reparação do dano social, parcelados ao longo de três anos.
Segundo a investigação, a organização atuava a partir do Juzgado de Paz de San Roque, utilizando pagarés clonados ou falsificados para iniciar juízos executivos fraudulentos. Com isso, obtinham ordens de embargo milionárias contra vítimas que desconheciam as supostas dívidas.