Começou nesta quarta-feira (20) o julgamento oral e público do ex-ministro da Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (Seprelad), Óscar Atilio Boidanich Ferreira, acusado de frustrar a persecução penal ao supostamente retardar um relatório de inteligência financeira sobre o doleiro brasileiro Darío Messer, apontado como "irmão do alma" do ex-presidente Horacio Cartes.
O Tribunal de Sentença, presidido por Darío Báez e composto também por Gloria Hermosa e Natalia Cacavelos, conduz a audiência. A defesa de Boidanich está a cargo dos advogados Claudio Lovera e César Alfonso, enquanto a acusação é representada pelos promotores Francisco Cabrera, Jorge Arce e Fernando Meyer.
Os fatos teriam ocorrido entre 30 de setembro de 2016 e 11 de maio de 2018. A tese da acusação é que Boidanich teria ordenado a demora no envio de um relatório crucial ao Ministério Público, o que teria postergado injustificadamente por cerca de dez meses o início de um processo penal contra Messer, impedindo a apreensão ou confisco de bens obtidos de forma ilícita.
A acusação sustenta que Boidanich tinha pleno conhecimento dos acontecimentos e que, inclusive, respondeu diretamente a Messer em 31 de outubro de 2016, poucos dias após a abertura da investigação contra o doleiro. O relatório teria ficado parado por quatro meses e só foi entregue à Promotoria em 17 de abril de 2018, após a publicação de reportagens sobre o caso.
Na abertura da audiência, o advogado Claudio Lovera questionou o prazo apontado pela acusação, alegando que o período citado pelos promotores em seus alegatos iniciais não coincide com o que consta no documento formal de imputação. A defesa também argumentou que, durante parte do período mencionado, Boidanich já não exercia o cargo de ministro da Seprelad e questionou se a acusação se refere a uma ação ou a uma omissão, figuras jurídicas com naturezas distintas.
Após a leitura do auto de abertura do julgamento e os debates iniciais, foram apresentados os testemunhas para o juramento. O primeiro a depor foi Gregorio Mayor, ex-colega de trabalho do réu e ex-funcionário da Seprelad.
O caso também envolve duas outras ex-servidoras da Seprelad: Raquel Cuevas Arzamendia, ex-diretora geral de Análise Financeira, e Melissa María del Mar Parodi González, ex-chefe do Departamento de Análise e Processamento de Dados. Ambas foram beneficiadas com a suspensão condicional do procedimento após a admissão dos fatos.