Dois sócios da Cooperativa Poravoty Ltda., Milder Javier Núñez Delgado e José Rolando Doldán González, serão julgados por uma ação penal apresentada pelo ex-presidente do Instituto Nacional de Cooperativismo (Incoop), Pedro Loblein. O processo está relacionado a protestos de poupadores que cobravam respostas sobre seus depósitos congelados após a paralisação das operações da entidade.
O julgamento das provas e da conduta dos acusados ficará a cargo do Tribunal Unipessoal de Sentença nº 2, presidido pela juíza Lourdes Llano Villalba. A acusação privada foi apresentada após manifestações e protestos em frente a residências, em San Lorenzo, organizados por grupos de associados que dizem ter perdido o acesso às suas economias.
O caso ocorre em meio à intervenção e à liquidação da Poravoty, medidas determinadas pela administração do Incoop liderada pelo engenheiro Carlos Romero Roa. A decisão proibiu a cooperativa de captar novas poupanças ou conceder créditos e também estabeleceu a inabilitação, por vários anos, de integrantes do Conselho de Administração, da Junta de Vigilância e da gerência que estavam no período investigado.
Segundo os relatos reunidos no processo e nas manifestações dos poupadores, a crise deixou centenas de famílias sem condições de recuperar seus recursos. A Coordenadora de Ahorristas Estafados considera contraditório que associados afetados pela perda patrimonial respondam judicialmente por exigir fiscalização e esclarecimentos.
A posição dos poupadores também envolve o papel exercido por Loblein antes de assumir funções na Poravoty. Ele presidiu o Incoop entre 2020 e 2023, período que os associados relacionam a supostas falhas de controle e ao alegado esvaziamento do patrimônio da cooperativa. Não há, no material disponível, confirmação de que ele tenha sido responsabilizado criminalmente por apropriação dos ativos.
Depois de deixar o órgão regulador, Loblein passou a atuar como assessor financeiro da Poravoty em fevereiro de 2024 e assumiu oficialmente a gerência-geral em outubro do mesmo ano. Foi nessa condição que promoveu a ação contra os dois sócios. Os poupadores afirmam que sua eventual responsabilidade seria administrativa, por uma suposta omissão de fiscalização durante a presidência do Incoop.
Paralelamente ao processo contra os manifestantes, famílias aguardam investigações do Ministério Público e da Justiça sobre o destino do patrimônio da Poravoty e as possíveis vias de desvio que teriam levado à quebra e à liquidação da cooperativa. O julgamento dos dois associados deverá tratar das condutas atribuídas a eles nos protestos, sem definir, por si só, a responsabilidade pelos prejuízos financeiros da entidade.
