O governo do Paraguai apresentou oficialmente nesta quarta-feira a Estratégia Nacional de Inclusão Financeira (ENIF) 2026-2031, um plano de Estado que atualiza a política iniciada em 2013 e busca evoluir do simples acesso bancário para um uso responsável e seguro dos serviços financeiros.
A cerimônia de lançamento ocorreu no Salón de Convenciones do Banco Central do Paraguai (BCP) e contou com a presença do presidente Santiago Peña, do ministro da Economía e Finanças, Carlos Fernández Valdovinos, e de autoridades do BCP e do Instituto Nacional de Cooperativismo (Incoop). O plano foi elaborado pelo Comitê Nacional de Inclusão Financeira (CNIF), liderado pelo Ministério da Economía e Finanças (MEF), com a participação de mais de 160 representantes de cerca de 40 instituições públicas e privadas.
A estratégia surge em um contexto de alerta pelo rápido crescimento do crédito ao consumo no país, uma tendência sobre a qual o Fundo Monetario Internacional (FMI) já chamou a atenção. As autoridades destacaram que, embora o acesso a serviços bancários tenha saltado de 20% da população em 2012 para quase 62% atualmente, é necessário combater o sobreendividamento que afeta famílias e micro, pequenas e médias empresas (mipymes).
O plano está estruturado em quatro objetivos principais: ampliar o acesso e o uso efetivo de produtos financeiros formais; promover a educação financeera para decisões responsáveis; fortalecer o marco regulatório e de supervisão para proteger os usuários; e impulsionar a infraestrutura física e digital para reduzir barreiras territoriais e de conectividade.
Para cumprir essas metas, a ENIF prevê a implementação de 39 ações específicas e prioriza grupos como pessoas em situação de pobreza (16% da população), comunidades rurais, trabalhadores independentes e mipymes – que representam 75% do emprego no país, mas das quais apenas 56% acessam financiamento formal. Também estão no foco adultos maiores e a comunidade educativa, que engloba mais de 1,5 milhão de estudantes e 85 mil docentes.
Em seu discurso, o presidente Santiago Peña enfatizou a necessidade de um trabalho coordenado entre todos os setores para que a estratégia seja efetiva. "Esta estratégia tem que ser de todos e na medida em que todos participem, esta estratégia poderá ser realmente o mais efetiva possível", afirmou.
A execução do plano contará com um sistema de monitoramento e acompanhamento para avaliar periodicamente os avanços e resultados, com o objetivo final de consolidar um sistema financeiro inclusivo como ferramenta de desenvolvimento social e econômico em todo o território paraguaio.
