A Prefeitura de Assunção, sob o comando do prefeito Luis Bello (ANR-HC), celebrou na sexta-feira (15) uma 'limpeza profunda' do Centro Histórico após as festas de 14 e 15 de maio. O operatório, executado pela Direção de Serviços Urbanos (DSU), concentrou-se nas praças dos Heróis, Independência, Democracia e Liberdade, além do Congresso, do Cabildo e da Costanera. Segundo dados oficiais, 120 mil pessoas passaram pela área durante as comemorações.
Fora do perímetro central, a realidade é de abandono. Na rua Mariano Molas, ao lado do Cemitério da Recoleta, o muro que desabou em 5 de maio continua no chão há mais de dez dias. Os escombros, tijolos quebrados e terra acumulada bloqueiam a passagem de pedestres. O buraco foi coberto precariamente com madeira compensada, e o local virou um depósito de galhos secos, caixas de papelão e sacos de lixo. Centenas de pessoas que visitaram seus entes falecidos no Dia das Mães se depararam com essa cena.
No bairro Bernardino Caballero, a situação é ainda pior. Na esquina da Avenida General Santos com Azara, um minilixão ocupa a calçada e a pista, com sacos pretos e caixas grandes que forçam os pedestres a descerem para o asfalto em uma área de tráfego intenso. A poucas quadras, na rua Herminio Giménez com Rodó, uma montanha de resíduos domiciliares — sacos pretos, brancos e vermelhos — permanece amontoada na base de uma árvore, em frente às casas dos contribuintes.
A falta de coleta eficiente criou pontos onde o descarte irregular se tornou 'tradição'. Na esquina de Azara com Acá Verá, em frente a uma praça, amanheceram restos de poda, caixas de sapatos, um rolo de papelão prensado e colchões. Moradores tentam conter a contaminação com placas de 'Proibido jogar lixo', mas o lixão clandestino cresce diante da omissão municipal.
O descaso também atinge áreas próximas a hospitais, como o Hospital de Trauma, na Herminio Giménez entre General Santos e Acá Verá, onde há anos funciona um 'lixão linear' que às vezes obstrui o trânsito.
O orçamento milionário da prefeitura contrasta com o colapso dos serviços. Em 2025, as administrações de Óscar 'Nenecho' Rodríguez e Luis Bello arrecadaram US$ 35,5 milhões exclusivamente para limpeza urbana. Apesar disso, nos dias mais críticos, a DSU operou com apenas 10 de seus 28 caminhões coletores próprios. Bello afirmou recentemente que já contam com 20 veículos operacionais. Para cobrir o déficit, a prefeitura recorre ao aluguel caro de caminhões de empresas privadas, mantendo a frota municipal inoperante.
Diante do colapso, Bello tentou apressar a compra direta de 11 caminhões coletores por quase G. 16 bilhões, alegando 'urgência inadiável'. A operação, feita por exceção e sem passar pela Câmara Municipal, foi suspensa pela Direção Nacional de Contratações Públicas (Resolução nº 1012/26), após protesto de empresas do setor contra o edital.
Apesar da operação insuficiente, a gestão Bello aposta em punições à população, com o projeto de lei 'Lixo Zero', que prevê prisão para quem descartar resíduos comuns na via pública.