Menos de sete meses durou a trégua viária no Mercado 4 de Assunção. O cruzamento da avenida Rodríguez de Francia com a rua Capitán Arturo Battilana voltou a se transformar em um campo minado de buracos e água servida. O recapeamento executado em outubro de 2025 pela administração do prefeito Luis Bello (ANR-HC) não resistiu às chuvas da temporada e já se desfez.
O prefeito mantém o modelo de seu antecessor, Óscar “Nenecho” Rodríguez (ANR-HC), de abandono da infraestrutura viária. Em 2025, as duas gestões arrecadaram mais de US$ 18,2 milhões destinados exclusivamente à manutenção de ruas e tapa-buracos, valor que superou amplamente as estimativas orçamentárias iniciais. No entanto, os recursos não se refletem na realidade: a via voltou a apresentar rompimentos profundos em curto prazo.
No cruzamento, a água servida cobre os buracos, ocultando o risco para motoristas e pedestres. Comerciantes e compradores do Mercado 4 precisam fazer manobras sobre o meio-fio ou cruzar a calçada entre a lama para evitar quedas ou serem salpicados por veículos. O tráfego de caminhões de carga e transporte público agrava o problema, pois os veículos pesados golpeiam as fossas do asfalto, acelerando o desgaste mecânico e a deterioração dos eixos.
O impacto econômico atinge diretamente o movimento comercial. Embora o Mercado 4 opere como um polo de alta movimentação diária, as dificuldades de acesso afastam clientes e complicam a logística de descarga de mercadorias. A destruição asfáltica na Rodríguez de Francia não é um caso isolado: os danos estruturais se estendem de forma contínua desde o centro histórico até a zona comercial do mercado, conectando-se ao descontentamento geral da população com as ruas destruídas no microcentro.
Os buracos, afundamentos e perdas de água acumulados em diversos bairros evidenciam que o problema viário é generalizado na gestão de Luis Bello, cuja resposta institucional não consegue conter o deterioro dos pavimentos da capital.