Pela enésima vez, a bancada cartista na Câmara dos Deputados barrou um pedido de informações sobre a distribuição de rubros docentes no Ministério da Educação e Ciências (MEC). O requerimento, apresentado pelo deputado Roberto González (ANR, Añeteté), solicitava dados sobre nomeações realizadas no departamento de Caaguazú entre fevereiro e abril de 2026. A recusa ocorreu sem argumentos substantivos, segundo parlamentares opositores.
González questionou abertamente: “Por que tanto zelo para que a instituição afetada responda? O que querem esconder? Não se trata de denúncia anônima, mas de uma denúncia responsável de um deputado da Nação. Assumo essa responsabilidade.” O líder da bancada do Honor Colorado, Miguel Del Puerto, sugeriu que o pedido fosse enviado a comissões para unificação, o que foi interpretado como manobra protelatória. Del Puerto também propôs uma reunião a portas fechadas com o ministro Ramírez, ideia rejeitada pela oposição.
O deputado Diosnel Aguilera (PLRA, Frente Radical) denunciou um “festim de distribuição política de rubros em todas as supervisões do país”. Segundo ele, “com a figura do interinato e dos encarregados de despacho, estão colocando gente que nem sequer está nos bancos de dados. Estão pisoteando quem se sacrificou”. Aguilera pediu votação nominal para que fique claro quem apoia a entrega de cargos “pelo simples fato de portar o lenço vermelho”, em referência ao símbolo do Partido Colorado.
A deputada Johanna Ortega (Partido País Solidário) foi a mais incisiva. Ela criticou o blindagem sistemático e anunciou que, a partir de agora, recorrerá à Lei de Acesso à Informação Pública e, se necessário, a um mandado de segurança judicial para obter os dados. “A verdade me altera e me incomoda profundamente, não por mim, mas pelas pessoas que representamos. Proporem uma reunião a portas fechadas, sem transmissão, com o ministro da Educação, diante de um pedido de informações que visa dar transparência a toda a cidadania”, afirmou.
Ortega classificou o ministro Luis Fernando Ramírez como “um ministro inútil, pelele, que passa o tempo protegendo políticos”. A referência se baseia em episódio anterior, em que Ramírez teria retido informações sobre o suposto título de advogado do vereador cartista Nasser Esgaib. A deputada prometeu ir “até onde a lei permitir” para garantir a transparência, lamentando que parlamentares precisem recorrer a instrumentos legais quando a Constituição já lhes assegura o direito de pedir informações a outros órgãos.