A promotora Marlene González afirmou que o Ministério Público do Paraguai está investigando a rastreabilidade dos recursos movimentados pelo Banco do Brasil e pelo Banco Continental, ambos mencionados em relatórios da Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (Seprelad) e na auditoria forense realizada na Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) em 2017. O caso, registrado sob o número 47/2021, envolve um complexo circuito de transferências internacionais e fideicomissos.
“É uma causa bastante complexa, mas estamos realizando as diligências”, declarou González. Ela explicou que os recursos sob suspeita foram enviados para bancos no exterior e, de lá, reingressaram no Paraguai. “Todos os relatórios estão sendo solicitados no exterior para ver se o mesmo dinheiro que saiu daqui é o mesmo que volta a entrar. Desde o momento em que transcende nossas fronteiras, dependemos muito dos relatórios que os bancos estrangeiros nos fornecem. Há cerca de um ano, recebemos muita documentação enviada pelas Bahamas. Esta causa é bastante complicada”, detalhou.
A promotora acrescentou que um pedido recente foi feito para responder a esclarecimentos solicitados por bancos de Nova York e das Bahamas. “Dependemos muito deles. Há um leque de situações sendo investigadas aqui, por isso é muito importante para nós fazer essa rastreabilidade para comprovar se era o mesmo dinheiro”, afirmou.
González admitiu que os relatórios recebidos inicialmente do exterior foram muito ambíguos. O foco atual da investigação é verificar minuciosamente os movimentos do Banco do Brasil, com o objetivo de comprovar que o dinheiro que saiu dessa instituição não retornou às suas contas, mas foi desviado para o Banco Continental para a constituição de fideicomissos, conforme descrito na auditoria forense e nos relatórios da Seprelad.
A postura passiva da Conmebol, presidida por Alejandro Domínguez, chama a atenção, especialmente após as recentes revelações do jornal The New York Times. A publicação trouxe à tona uma denúncia ao Comitê de Ética da FIFA contra Domínguez e outro alto dirigente da Confederação, acusados de se apropriar de parte dos fundos recuperados do escândalo FIFAgate, recebendo supostamente mais de 5 milhões de dólares como “bônus” ou comissão secreta, após gerenciar a devolução do dinheiro desviado nas tramas de corrupção.