O Ministério Público do Paraguai pediu nesta segunda-feira (18) a condenação de Ramón González Daher a 6 anos de prisão por falso testemunho. A promotora Andrea Vera apresentou os alegatos finais no julgamento que investiga se o ex-dirigente mentiu sobre os motivos de sua renúncia à Associação Paraguaia de Futebol (APF) durante depoimento prestado em 2021.
Segundo a acusação, González Daher declarou como testemunha em um processo movido pelo presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Alejandro Domínguez, contra o ex-dirigente José Medina Sagalés. Na ocasião, afirmou que havia sido denunciado à Conmebol e que o caso teria sido encaminhado à Federação Internacional de Futebol (FIFA), o que o teria levado a renunciar ao cargo de vice-presidente da APF para evitar o prosseguimento do litígio.
No entanto, a promotora Vera sustentou que a versão de González Daher é falsa. Documentos enviados pela APF e pela Conmebol ao Ministério Público indicam que não houve denúncia formal contra ele na entidade internacional. A saída do ex-dirigente, segundo esses registros, não decorreu de uma renúncia voluntária, mas sim de um exame de idoneidade e integridade solicitado pela própria APF.
O julgamento será retomado na próxima segunda-feira (25), quando a defesa de González Daher apresentará seus alegatos finais. O Tribunal de Sentença é presidido pelo juiz Fabián Weisensee e integrado pelas juízas Laura Ocampo e Cândida Fleitas.
Esta é a quinta condenação que González Daher pode enfrentar. Atualmente, ele cumpre pena de 15 anos de prisão na Unidade Penitenciária Industrial Esperanza por usura grave, lavagem de dinheiro e denúncia falsa. Em 2023, foi condenado a 7 anos por denúncia falsa e extorsão, pena confirmada pela Corte Suprema em agosto de 2025. Em novembro de 2024, recebeu 6 anos por redução de 471 cheques roubados de um cartório de Garantias, sentença ratificada em maio de 2025. A quarta condenação, de 3 anos, foi por extorsão contra o empresário Alberto Antebi, também relacionada aos cheques furtados.