Fiscalía pede 6 anos de prisão para Ramón González Daher por falso testemunho

O Ministério Público do Paraguai solicitou nesta segunda-feira 6 anos de prisão para o ex-dirigente esportivo Ramón González Daher, acusado de mentir sob juramento em 2021 durante um processo por difamação movido pelo presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez. A defesa alega que o réu inventou uma renúncia voluntária à vice-presidência da Associação Paraguaia de Futebol (APF), mas documentos oficiais mostram que ele foi destituído por não passar em exame de idoneidade.

O Ministério Público do Paraguai formalizou nesta segunda-feira (18) o pedido de 6 anos de prisão para o ex-dirigente esportivo Ramón González Daher, acusado de falso testemunho. A solicitação foi feita pela promotora Andrea Vera durante os alegatos finais do julgamento oral e público, perante os juízes Fabián Weisensee, Laura Ocampo e Cândida Fleitas.

Segundo a acusação, González Daher mentiu deliberadamente sob juramento em maio de 2021, ao depor como testemunha em uma queixa por difamação movida pelo presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, contra o ex-dirigente José Medina Sagalés. Na ocasião, o réu afirmou à juíza María Fernanda García de Zúñiga que havia renunciado voluntariamente ao cargo de vice-presidente da Associação Paraguaia de Futebol (APF) para evitar um litígio, alegando ser vítima de perseguição.

No entanto, documentos oficiais enviados pela APF e pela Conmebol contradizem essa versão. As provas demonstraram que González Daher não renunciou por iniciativa própria, mas foi afastado após reprovar um exame de idoneidade e integridade exigido pelos padrões do futebol internacional. A promotora detalhou que o ex-dirigente inventou uma suposta denúncia contra si na FIFA que nunca existiu — o processo disciplinar estava aberto apenas em uma subcomissão da Conmebol.

Além disso, a acusação constatou que González Daher mentiu ao afirmar que nunca havia sido notificado sobre as investigações do órgão regional. As evidências documentais apresentadas no julgamento confirmaram que ele recebeu as notificações no prazo e que sua própria defesa chegou a interpor recursos contra elas.

O tribunal determinou um intervalo e marcou a continuação do julgamento para 25 de maio, com os alegatos finais. González Daher acompanha as audiências por videoconferência do presídio, onde já cumpre uma condenação principal de 15 anos por usura, lavagem de dinheiro e denúncia falsa, além de outras três penas entre 2023 e 2025 por extorsão e redução. Caso receba esta nova sentença, as penas serão cumpridas simultaneamente.