O promotor Christian Benítez apresentou acusação formal e pediu abertura de julgamento oral contra a ex-agente fiscal Egidia Victoria Gómez Denis, da Unidade Penal n.º 3 da Promotoria Zonal de Villa Elisa. Ela é acusada de cohecho passivo agravado e frustração da persecução e execução penal, ambos na condição de autora.
Segundo a investigação, entre maio e dezembro de 2021, Gómez Denis teria montado um esquema para beneficiar Walter José Galindo Domínguez, processado por narcotráfico, posse de armas e receptação, após ser detido com 1,3 kg de cocaína. A promotoria alega que ela abandonou o princípio de objetividade em troca de dinheiro, usando manobras para atrapalhar a investigação.
Conversas telefônicas interceptadas judicialmente indicam que a ex-agente mantinha provas-chave em seu gabinete e atrasava o envio delas a depósitos oficiais, supostamente por falta de pagamento prometido pela defesa do traficante. Em 1º de julho de 2021, ela assinou a Resolução n.º 58, liberando uma caminhonete Ford Ranger (placa WBZT 585) apreendida em busca e apreensão, sem perícias e com procuração de assinaturas supostamente falsificadas.
Em uma das ligações, Galindo teria dito que a fiscal “ia segurar o processo” para evitar que outras instituições detectassem irregularidades. Outra conversa, de 30 de junho de 2021, envolve um intermediário que, supostamente do escritório da agente, informou o processado sobre manobras judiciais em seu favor.
A Unidade Especializada de Delitos Econômicos e Anticorrupção considera a fase investigativa encerrada e afirma haver elementos suficientes sobre a participação da acusada. O pedido foi apresentado ao juiz penal de garantias Humberto Otazú, solicitando a admissão da acusação, a validação das provas documentais e telefônicas e a elevação do caso a julgamento oral.