A Fiscalia do Paraguai imputou formalmente nove ex-funcionários do Instituto de Previsão Social (IPS), incluindo os ex-presidentes Vicente Bataglia e Jorge Brítez, por suposto crime de lesão de confiança. O caso envolve um contrato de G. 53 bilhões com a empresa Neighpart S.A. para a aquisição e instalação de quirófanos modulares no Hospital Central do IPS, que nunca foram instalados, causando um prejuízo patrimonial estimado em G. 61 bilhões à instituição.
De acordo com a investigação liderada pelo promotor Julio Ortiz, os ex-gestores autorizaram pagamentos e prorrogações contratuais por meio de adendas irregulares, mesmo sabendo que a obra não poderia ser executada devido à falta de planejamento e avaliação prévia da infraestrutura do edifício. A empresa recebeu adiantamentos e pagamentos sem que os equipamentos fossem instalados, e muitos dos insumos acabaram armazenados e vencidos em um depósito.
Além dos ex-presidentes, foram imputados ex-gerentes e diretores de áreas como Logística, Abastecimento, Manutenção e a Unidade Operativa de Contratações (UOC), incluindo Hugo Aranda, Jaime Caballero, José Raúl Coronel, Verónica Blanco, Juan Villar, Marcelo Bordón e a assessora jurídica Rosa Colmán. Esta última foi a primeira detida no caso, presa em Assunção e já interrogada pelo Ministério Público.
O atual presidente do IPS, Isaías Fretes, e seu diretor jurídico, Pablo Morínigo, classificaram as imputações como um "fato histórico" e afirmaram que a instituição colaborará integralmente com a investigação. Eles destacaram que as visitas surpresa de Fretes a unidades do IPS foram cruciais para expor as irregularidades. Morínigo afirmou que a instituição analisará as atas do Conselho de Administração para avaliar a responsabilidade de conselheiros que aprovaram as adendas, o que pode levar a ampliações na imputação.
O promotor Ortiz solicitou prisão preventiva para todos os imputados, alegando risco de fuga e de obstrução da investigação, além de um embargo de bens no valor de G. 61 bilhões. Ele também mencionou que, extraoficialmente, soube que Vicente Bataglia estaria fora do país, na Itália, mas que seu defensor afirmou que ele retornará ao Paraguai. O paradeiro de Jorge Brítez permanece desconhecido.
O presidente Santiago Peña, questionado sobre a nomeação de Brítez, defendeu suas decisões com base nas informações disponíveis no momento, afirmando que cada pessoa deve responder por seus próprios atos e que não cabe a ele emitir julgamentos morais.
Enquanto isso, o IPS enfrenta uma grave crise financeira. Fretes declarou que a instituição não tem recursos para recategorizações, novos contratos, aumentos salariais ou manutenção de tecnologia médica, e que a dívida total chega a G. 1,261 trilhão, sendo G. 887 bilhões com fornecedores e instituições financeiras.
