FMI alerta sobre risco do crédito acelerado ao consumo no Paraguai

O FMI alertou que o rápido crescimento do crédito ao consumo no Paraguai exige monitoramento e medidas macroprudenciais, apesar de considerar o sistema bancário do país sólido e resiliente.

Uma missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para a necessidade de monitorar de perto o rápido crescimento do crédito ao consumo no Paraguai, embora tenha avaliado o sistema bancário do país como sólido e resiliente.

As conclusões fazem parte da revisão anual do Artigo IV do acordo constitutivo do FMI, realizada entre 15 e 26 de junho. Os técnicos afirmam que o risco sistêmico parece controlado, mas que a expansão acelerada e sustentada dos empréstimos para consumo exige vigilância e prontidão para agir diante de qualquer sinal de enfraquecimento nos critérios de concessão.

Entre as recomendações, o FMI sugere o desenvolvimento de ferramentas macroprudenciais focadas nos devedores, como limites para a relação entre o serviço da dívida e a renda, para promover um endividamento familiar sustentável e conter vulnerabilidades.

O relatório também destaca a importância de continuar fortalecendo o combate à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, principalmente por meio da aprovação de uma Avaliação Nacional de Riscos atualizada e da correção de deficiências identificadas.

No âmbito do desenvolvimento financeiro, o FMI recomenda aprofundar os mercados de capitais locais, ampliar a base de investidores e aumentar gradualmente a emissão de títulos públicos no mercado interno, coordenada pelo Banco Central do Paraguai (BCP), para evitar sobreposição de vencimentos. A criação de uma curva de juros confiável em moeda local facilitaria a precificação de instrumentos de longo prazo, como hipotecas, segundo o fundo.

O organismo elogiou o regime de metas de inflação do país e a manutenção das expectativas ancoradas na meta de 3,5%, mesmo durante a crise energética. Reforçou que a taxa de câmbio flexível deve continuar atuando como amortecedor de choques externos, com intervenções cambiais restritas a casos de desordem no mercado.

Os dados mais recentes do BCP corroboram a tendência apontada pelo FMI. O crédito total apresentou crescimento interanual de 17,1% em março, impulsionado principalmente pelos empréstimos às famílias para consumo. No primeiro quadrimestre de 2026, a carteira de crédito ao consumo em guarani cresceu 24,24% em relação ao mesmo período de 2025, atingindo G 34 trilhões.

Fontes (1)

Atualizado: 1 de jul. de 2026, 08:52