Gasto com salários públicos sobe 12,6% até abril, enquanto investimentos despencam 25,3%

Dados do Ministério da Economia e Finanças mostram que as remunerações de servidores consumiram G. 7,9 trilhões no primeiro quadrimestre de 2026, impulsionadas por setores estratégicos. Em contraste, as transferências para obras e infraestrutura caíram para G. 1,1 trilhão, com forte recuo nos recursos de créditos públicos.

As contas públicas do Paraguai registraram um crescimento de 9,4% no gasto total até abril de 2026, pressionadas principalmente pelo pagamento de salários, serviço da dívida e transferências a governos descentralizados. O dado foi divulgado no informe de Situação Financeira da Administração Central (Situfin), elaborado pela Tesouraria Geral do Ministério da Economia e Finanças (MEF).

O item de serviços pessoais — que inclui salários e outras remunerações do funcionalismo — alcançou G. 7,9 trilhões (aproximadamente US$ 1.296,8 milhões) no período, um aumento nominal de 12,6% em relação aos G. 7 trilhões (US$ 1.151,4 milhões) do mesmo intervalo de 2025. Esse montante representa 38,6% de todas as transferências realizadas pelo Tesouro.

Nathalia Rodríguez Romero, gerente de Economia do MEF, explicou que a alta é puxada por pastas consideradas estratégicas. “Apesar de sempre observarmos uma dinâmica ascendente nas remunerações, isso é explicado principalmente por entidades como o Ministério do Interior, Saúde, Ministério da Defesa Nacional, Educação e segurança”, argumentou durante a apresentação do relatório.

Na direção oposta, a inversão pública somou apenas G. 1,1 trilhão (US$ 196,5 milhões) entre janeiro e abril, uma queda de 25,3% frente aos G. 1,6 trilhão (US$ 263,1 milhões) do ano anterior. O valor destinado a obras equivale a 15,1% do gasto salarial e a 5,8% do gasto total do período.

A retração foi mais acentuada nos recursos provenientes de créditos públicos (Fonte 20), que despencaram 27,5%, e nos recursos institucionais próprios (Fonte 30), com redução de 12,8%. Já as transferências financiadas com receitas tributárias (Fonte 10) tiveram incremento de 11%.

Rodríguez Romero atribuiu parte da queda a uma compra extraordinária de radares realizada no exercício fiscal anterior, embora tenha destacado que o cenário foi compensado por maiores pagamentos a fornecedores de obras públicas. “Vemos uma maior execução nos últimos quatro anos, o que evidencia também a eficiência na programação financeira. A inversão pública é liderada pelo Ministério de Obras, que registrou um aumento de 9,1% basicamente por pagamentos a credores”, detalhou.