Governo defende investimento militar e nega perda de soberania com acordo SOFA

O ministro da Defesa, Óscar González, afirmou que o crime organizado e o terrorismo são as principais ameaças à soberania paraguaia, ao rebater críticas da oposição ao acordo de cooperação militar com os Estados Unidos e detalhar um plano de investimentos de mais de US$ 179 milhões nas Forças Armadas.

O governo de Santiago Peña avança com um plano de investimento nas Forças Armadas que, segundo o ministro da Defesa Nacional, general Óscar González, rompe um jejum de 40 anos sem aquisições de grande porte. “Das últimas compras e investimentos importantes nas Forças Armadas, passaram 40 anos”, declarou o secretário de Estado, ao situar as últimas aquisições relevantes entre 1985 e 1986.

Entre as compras já concretizadas estão seis aviões Super Tucano, fabricados pela Embraer, por US$ 101,6 milhões, financiados com recursos descontados via Itaipu. Quatro dessas aeronaves e dois radares israelenses revitalizados, ao custo de US$ 1,08 milhão, já estão em operação contra voos ilegais, principalmente os chamados “aviões do narcotráfico”.

O plano inclui ainda a aquisição, de Estado para Estado, do radar norte-americano TPS-78, no valor de US$ 45,8 milhões, com entrega prevista para o quarto trimestre de 2027. O sistema virá acompanhado de suporte logístico e programas de capacitação. “O sistema de mando e controle vai servir para operar este radar e os próximos que se tiver que adquirir; não se pode adquirir um por um pelo custo muito elevado”, explicou González.

Na última sexta-feira, o presidente Santiago Peña promulgou a lei que aprova o memorando de entendimento com os Estados Unidos para a compra de equipamentos e serviços de defesa. O acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA, na sigla em inglês) prevê uma cooperação superior a US$ 32 milhões, destinada a fortalecer as capacidades operativas das Forças Armadas no combate ao narcotráfico.

O ministro González negou categoricamente que o acordo implique cessão de soberania, como alegam setores da oposição e do Parlamento. “O conceito de soberania agora realmente se ampliou e para nós os que mais ameaçam a soberania são as chamadas novas ameaças, que são o crime organizado e o terrorismo. E a essas duas facetas da criminalidade não se pode combater se não tivermos convênios de cooperação com outros países”, afirmou.

O general acrescentou que o objetivo é evitar que grupos criminosos internos sobreponham sua autoridade à do Estado paraguaio. “Muito pelo contrário, este acordo SOFA vai nos ajudar a manter a soberania pátria em todo o território nacional”, sustentou.

A cooperação norte-americana contempla programas de resiliência e segurança fluvial, resposta a crises e contingências, e ciberdefesa. Em abril, os Estados Unidos doaram oito embarcações interceptoras fluviais à Armada Paraguaia, em uma parceria avaliada em aproximadamente US$ 4 milhões, para patrulhamento, busca e resgate e segurança portuária.