Oficialismo trava investigação sobre suposto oceano de diplomas falsos no Paraguai

A senadora Esperanza Martínez denuncia resistência do oficialismo à criação de uma comissão especial para investigar até 2.500 títulos universitários suspeitos, após o escândalo do ex-senador Hernán Rivas expor uma possível rede de fraudes que teria beneficiado ocupantes de cargos públicos, inclusive no sistema de Justiça.

A senadora Esperanza Martínez afirmou que o caso do ex-senador Hernán Rivas, acusado de usar um diploma falso de advogado, é apenas a ponta de um iceberg. Em entrevista, ela revelou que existiriam cerca de 2.500 títulos universitários suspeitos e alertou para uma possível rede de corrupção enraizada em instituições públicas e privadas.

Martínez propôs a criação de uma comissão especial de investigação no Senado para apurar a emissão, comercialização e uso de documentos acadêmicos irregulares. No entanto, setores do oficialismo rejeitaram a iniciativa, argumentando que já existem órgãos com atribuições para investigar. A oposição vê na resistência o temor de expor uma estrutura mais ampla.

O escândalo ganhou força após a Sala Penal da Corte Suprema de Justiça anular o sobreseimento definitivo de Rivas e deixar sem efeito a prescrição que o favorecia. O ex-senador colorado cartista agora enfrentará julgamento oral e público. Ele chegou a presidir o Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados (JEM), órgão que decide sobre a carreira de juízes e promotores, o que coloca sob suspeita decisões tomadas por ele.

O caso também reacendeu denúncias contra o ex-deputado Orlando Arévalo, outro ex-presidente do JEM, cujo diploma de advogado voltou a ser questionado. A repetição de casos envolvendo integrantes do JEM revela um problema sistêmico: aqueles que deveriam fiscalizar magistrados tiveram suas próprias credenciais postas em dúvida.

A Universidade Sudamericana foi mencionada como um dos focos da investigação, por supostamente ter emitido grande quantidade de títulos de legitimidade duvidosa. A senadora Martínez insiste que o problema não é administrativo, mas sim um esquema de corrupção com ramificações políticas, judiciais e acadêmicas.