Intervenção diz que mais de 92% de G. 512 bilhões em recursos de bônus de Assunção foram para despesas correntes

A intervenção na gestão de Óscar Rodríguez documentou G. 512 bilhões em recursos de bônus municipais movimentados pelo sistema de conta única e afirmou que mais de 92% foram destinados a despesas correntes. A emissão G8, separadamente, levantou G. 360 bilhões para oito obras de drenagem pluvial.

Intervenção diz que mais de 92% de G. 512 bilhões em recursos de bônus de Assunção foram para despesas correntes

A intervenção na administração do ex-prefeito de Assunção Óscar “Nenecho” Rodríguez documentou G. 512 bilhões em recursos de bônus municipais movimentados por meio da “Cuenta Única”, o sistema de conta única da prefeitura. Segundo o ex-interventor Carlos Pereira, mais de 92% desses G. 512 bilhões foram usados em despesas correntes, principalmente salários, décimo terceiro, dietas, gratificações, serviços básicos, aluguéis, limpeza e manutenção.

Esse valor não deve ser confundido com a emissão G8. De acordo com os números reunidos pelo ABC Color, a gestão de Rodríguez dispôs de quatro emissões — G6, G7, G8 e G9 — entre 2019 e sua renúncia em agosto de 2025, somando G. 728,404 bilhões. Três estavam ligadas a projetos de infraestrutura; a G9 foi emitida para refinanciar dívidas de bônus anteriores que venciam.

A G8 era de G. 360 bilhões, não G. 512 bilhões

A emissão G8 de 2022 captou G. 360 bilhões para oito projetos de drenagem pluvial. O ABC informou que apenas quatro haviam sido iniciados quando Rodríguez deixou o cargo: San Pablo, com 49% de avanço; Abasto, 61%; Santo Domingo, 36%; e General Santos e San Antonio, com 0% após 18 meses do ato simbólico de início. Os outros quatro projetos previstos — Ayala Velázquez, España II, Terminal e Universidad Católica — não haviam começado, segundo a reportagem.

Para a G8, a reportagem soma aos G. 360 bilhões de principal outros G. 159,211 bilhões de juros até 2032, totalizando G. 519,211 bilhões. Para a G9, informa G. 195 bilhões de principal e G. 177,714 bilhões de juros até 2035.

Rodríguez defendeu o mecanismo da conta única

Rodríguez já havia defendido publicamente o uso da conta única em 2024. Em um comunicado municipal de 26 de junho de 2024, sua administração sustentou que o mecanismo era permitido pelas normas paraguaias de administração financeira e possibilitava usar liquidez disponível em vez de contratar empréstimos de curto prazo. A prefeitura estimou uma economia de aproximadamente G. 77,342 bilhões em juros. Rodríguez negou que o dinheiro tivesse desaparecido ou sido desviado.

Em 3 de julho de 2024, Rodríguez também afirmou que, na sua leitura, o relatório então existente da Contraloría General de la República, a Controladoria-Geral do Paraguai, não apontava dano patrimonial nem malversação e que a divergência dizia respeito aos critérios sobre o uso da conta única pelo município. Essas declarações representam a posição da antiga administração e devem ser lidas ao lado das conclusões posteriores da intervenção.

O que os números demonstram — e o que não demonstram

A distinção corrigida é, portanto, essencial: a intervenção não afirmou que G. 512 bilhões, nem 92%, provinham da emissão G8 de G. 360 bilhões. Ela identificou G. 512 bilhões de um conjunto mais amplo de recursos de bônus municipais movimentados pela conta única e disse que mais de 92% desse montante foi para despesas correntes.

O ABC também relatou obras não concluídas ou não executadas vinculadas às emissões G6 e G7. Ao mesmo tempo, a própria reportagem observa que essas duas emissões não foram examinadas da mesma forma pela intervenção nem pela Contraloría General de la República. Os dados disponíveis, portanto, não permitem atribuir a cada guarani dessas emissões a mesma conclusão.

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Fontes (1)

Atualizado: