Os detentores de títulos da Municipalidad de Asunción decidirão em 16 de setembro se iniciarão medidas judiciais contra o município, caso a administração do intendente Luis Bello não comprove o pagamento de G. 41,101 bilhões prometido para o dia anterior. A assembleia foi convocada pela Valores Casa de Bolsa SA, representante dos credores, e será realizada na Torre 3 do Paseo La Galería, com primeira chamada às 11h e segunda às 12h.
A reunião abrangerá as emissões G5, lançada durante a gestão de Mario Ferreiro, e G6, G7, G8 e G9, emitidas no governo do ex-intendente Óscar “Nenecho” Rodríguez. O compromisso de Bello surgiu após o município deixar de pagar parcelas de juros dos títulos desde maio de 2025.
Em junho, a Junta Municipal rejeitou uma segunda proposta de acordo apresentada pelos credores. Mesmo sem a aprovação dos vereadores, Bello já havia feito um pagamento parcial de G. 50,941 bilhões e assumido o compromisso de desembolsar outros G. 41,101 bilhões em 15 de setembro. Em troca, os bonistas concordaram em adiar até março de 2027 o vencimento de um saldo de G. 181,048 bilhões, entre principal e juros.
Se o cronograma for mantido, a próxima administração municipal herdará uma obrigação próxima de US$ 31 milhões. A dívida vencida acumulada desde a posse de Bello chega a G. 130,286 bilhões, ou US$ 22,3 milhões, após sua gestão deixar de pagar G. 35,734 bilhões em juros entre junho e agosto.
O histórico inclui G. 30,246 bilhões em cupons não pagos durante a gestão de Rodríguez e outros G. 20,694 bilhões acumulados durante a intervenção municipal conduzida por Carlos Pereira entre junho e agosto. O pagamento de G. 50,941 bilhões quitou esses valores anteriores, mas não impediu a formação de novos atrasos.
A crise financeira também afeta obras financiadas pelos títulos. Das oito intervenções de drenagem urbana previstas na emissão G8, de G. 360 bilhões, quatro chegaram a ser iniciadas e nenhuma foi concluída. As obras de Santo Domingo, San Pablo e Abasto registravam, respectivamente, 35%, 46% e 59% de avanço, enquanto o projeto de General Santos não apresentava progresso no local.
O atraso está relacionado ao desvio de G. 512 bilhões da emissão G8 para despesas correntes, principalmente salários, conforme apontado pela Controladoria-Geral da República e documentado pelo interventor. Projetos previstos nas emissões G6 e G7, como a revitalização de dez praças e reformas na Estação de Buses de Asunción, também não foram executados integralmente ou tiveram sua destinação alterada.
