Assunção enfrenta crise fiscal com desvio de mais de G. 500 bilhões do bono G8 e serviços precários

Assunção enfrenta uma crise fiscal com o desvio de mais de G. 500 bilhões do bono G8, originalmente destinado a obras de drenagem pluvial, durante a gestão do ex-prefeito municipal Óscar "Nenecho" Rodríguez, enquanto a administração atual de Luis Bello paga contratos de empreitada com receita corrente do município, e os moradores sofrem com serviços públicos precários, incluindo ruas esburacadas, coleta de lixo irregular e trânsito caótico.

Assunção enfrenta crise fiscal com desvio de mais de G. 500 bilhões do bono G8 e serviços precários
Ilustração gerada por IA.

A capital paraguaia segue mergulhada em uma crise fiscal e de serviços públicos que atravessa duas gestões municipais. As dívidas milionárias deixadas pelo ex-prefeito municipal Óscar "Nenecho" Rodríguez, do cartismo, pesam sobre a administração do atual prefeito Luis Bello, também do ANR-HC, sem que os moradores percebam melhora significativa no cotidiano.

Os problemas se concentram nas obras de drenagem pluvial, financiadas originalmente pelo bono G8, emissão de G. 360.000 milhões aprovada em 2022 para atender oito bacias da cidade. O dinheiro, porém, foi desviado para outros fins durante a gestão de Rodríguez — segundo a intervenção municipal conduzida em 2025 por Carlos Pereira, mais de G. 500.000 milhões teriam sido irregularmente redirecionados. Em julho de 2024, a Fiscalía chegou a allanar a Municipalidad de Assunção para apreender documentos sobre o caso.

Com os recursos do bono já comprometidos, a administração de Bello agora paga as empreiteiras com a receita corrente do município. O vereador opositor Álvaro Grau calcula que o custo final para o contribuinte será triplicado: "A la ciudadanía le va a costar el triple porque va a tener que pagar el interés, va a tener que pagar el capital del bono y va a tener que pagar la obra otra vez aparte". Segundo ele, de um total original de G. 800.000 milhões, os assuncenos terminarão pagando cerca de G. 1,6 bilhões.

Até agora, G. 20.000 milhões da receita já foram usados para quitar serviços em três frentes de obra em andamento — nos bairros San Pablo, Santo Domingo e Manorá. As demais bacias previstas no plano original — Ayala Velázquez, Terminal e Universidad Católica — ficaram sem recursos. O 69,7% do montante do bono G8 está comprometido nessas quatro obras, todas com níveis desiguais de avanço.

O passivo total da Municipalidad com emissões de bonos (G5 a G9) alcança G. 817,5 bilhões em capital e G. 645,6 bilhões em juros de longo prazo, totalizando cerca de G. 1,4 bilhões — aproximadamente USD 240 milhões — a serem pagos até 2035. Além disso, a comuna já acumula 14 parcelas vencidas de juros, somando G. 145,4 bilhões.

No dia a dia, os moradores convivem com serviços deficientes: ruas esburacadas que provocam acidentes, coleta de lixo irregular, trânsito caótico e abandono de áreas como o centro histórico, o terminal de ônibus e os mercados municipais. Nos bairros onde as obras de drenagem estão em andamento, os moradores descrevem um cenário de "zona de guerra", com medo de que os projetos se transformem em mais uma obra inconclusa, a exemplo do Metrobús.

Fontes (1)

Atualizado: 20 de jun. de 2026, 21:24