IPS concentra até 82% dos CDA nos cinco maiores bancos; Senado cobra respostas do BCP

O IPS mantém até 82,49% dos CDA em dólares nos cinco maiores bancos, enquanto o Senado cobra do BCP informações sobre a gestão desses recursos públicos, operações bancárias e empréstimos aos segurados.

IPS concentra até 82% dos CDA nos cinco maiores bancos; Senado cobra respostas do BCP

O IPS mantém uma parcela relevante de seus Certificados de Depósitos de Poupança (CDA) concentrada em poucos bancos, enquanto o Senado ampliou a cobrança por informações sobre a gestão de recursos públicos e as operações do sistema financeiro. Os dados oficiais referentes a julho de 2026 mostram que a concentração é maior nas aplicações em dólares.

Em guaranis, a carteira de CDA soma G. 7,75 trilhões. O Sudameris lidera, com G. 1,60 trilhão, equivalente a 20,71% do total, seguido pelo Ueno, com G. 1,58 trilhão (20,35%). O Banco Nacional de Fomento (BNF) reúne G. 1,18 trilhão e o Continental, G. 1,07 trilhão. Juntos, os quatro bancos concentram 70,17% da carteira; com o Zeta, o percentual chega a 80,34%.

Nas aplicações em dólares, que totalizam US$ 126,99 milhões, o Ueno possui US$ 27,43 milhões (21,60%), o Zeta, US$ 25,70 milhões (20,24%), e o Basa, US$ 22,90 milhões (18,03%). Essas três instituições concentram 59,87% dos recursos. Com o Continental e o Banco Familiar, as cinco maiores posições alcançam 82,49%.

A rentabilidade média ponderada é de 9,60% nos CDA em guaranis e de 6,54% nos denominados em dólares, com prazo médio próximo de cinco anos. O prazo residual da carteira em moeda local é de 1,54 ano. Entre as maiores taxas em guaranis aparecem Zeta, com 11,45%, Ueno, com 11,15%, e BNF, com 10,87%. Em dólares, Ueno rende 7,39%, Zeta 7,17% e Basa 7,08%.

Os números permitem avaliar a distribuição por instituição, mas não esclarecem os limites internos de exposição, as políticas de diversificação ou os critérios regulatórios aplicados pelo IPS, entidade de seguridade social e saúde pública. A concentração, portanto, indica um ponto de acompanhamento, mas não prova, por si só, irregularidade ou risco de perda.

O tema ganhou dimensão política com pedidos de informação enviados pelo Senado ao Banco Central do Paraguai (BCP), autoridade responsável pela supervisão do sistema financeiro. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, deverá responder em até 15 dias a consultas sobre operações bancárias, vínculos com empresas associadas, depósitos públicos, controles prudenciais e os efeitos de fusões e absorções realizadas nos últimos cinco anos.

Um dos requerimentos reúne 31 perguntas sobre o Ueno, incluindo operações com partes relacionadas, limites prudenciais e medidas eventualmente adotadas pela Superintendência de Bancos. O senador Rafael Filizzola afirmou que é necessário distinguir operações rotineiras de questionamentos específicos envolvendo a instituição. Ele também alegou que o banco teria concentrado cerca de US$ 863 milhões em depósitos estatais ao longo de três anos, afirmação que deverá ser confrontada com os dados oficiais solicitados ao BCP.

O Senado também continuará examinando como os empréstimos do IPS são pagos aos segurados. A senadora Lilian Samaniego retirou seu próprio pedido de informações, alegando já ter assinado uma iniciativa semelhante. O requerimento anterior, apresentado por Filizzola, questiona se existe impedimento para que o beneficiário receba o crédito em uma conta de qualquer banco habilitado, sem ser obrigado a abrir conta em uma instituição específica, e quais mecanismos do Sistema de Pagamentos do Paraguai permitem transferências para diferentes entidades.

O vice-presidente Pedro Alliana defendeu a apuração e disse que a população precisa saber se os bancos que administram dinheiro público, incluindo recursos do IPS, cumprem os requisitos de solvência e pagam juros adequados. As respostas do BCP deverão indicar se a concentração observada nas aplicações previdenciárias decorre de regras formais, decisões de gestão ou condições de mercado.

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