O novo presidente do Instituto de Previsão Social (IPS), Isaías Fretes, declarou que sua gestão começará por "colocar a casa em ordem" antes de avançar com a reforma da Carta Orgânica da entidade. A afirmação foi feita em uma de suas várias aparições públicas desde que assumiu o cargo, em 22 de abril de 2026.
Para analistas, a promessa soa vaga se não vier acompanhada de medidas concretas. "Se por 'colocar a casa em ordem' ele se refere a adotar medidas de emergência ou 'remendos' para aliviar a crise de falta de insumos e medicamentos, suas afirmações fazem sentido", observa um comentarista da coluna de opinião do La Nación. "Caso contrário, não, porque dificilmente se pode pôr ordem nesta instituição sem as urgentes reformas estruturais que originam suas crises recorrentes."
Fretes enfrenta o desafio de reverter a herança deixada por seu antecessor, Jorge Brítez, que após 30 meses no cargo renunciou sem deixar um plano de gestão claro. O novo presidente dispõe de menos tempo que Brítez para mostrar resultados, e a pressão por ações imediatas é grande.
Entre as prioridades apontadas estão o saneamento do vademécum de medicamentos, a investigação de supostos casos de corrupção e uma auditoria sobre os imóveis do IPS, que será conduzida pelo auditor do Poder Executivo, Alberto Cabrera, ex-diretor administrativo de Itaipú no governo de Mario Abdo Benítez.
No entanto, críticos argumentam que o discurso de Fretes repete o padrão de anúncios sem execução que marcou a gestão anterior. "O que o segurado reclama são mudanças concretas na gestão", afirma um especialista da mesma coluna. "Coisas básicas, como acabar com o desabastecimento nos hospitais e com o calvário para conseguir uma consulta, exame ou cirurgia."
A situação é comparada à campanha de Camilo Pérez para a prefeitura de Assunção, que promete resolver problemas de buracos, lixo e segurança. No IPS, a analogia seria acabar com a falta de medicamentos e a dificuldade de agendamento de serviços.
Fretes insiste que é possível "mascar chiclete e atravessar a rua" ao mesmo tempo, ou seja, lidar com as urgências enquanto se discute as reformas de fundo. Mas a experiência recente mostra que, sem ações concretas, as palavras perdem valor. O IPS atende cerca de 1 milhão de segurados e beneficiários, e a pressão por resultados é crescente.
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