Iramain vê disputa de poder e negócios entre Cartes e Peña; Benítez ironiza briga interna da ANR

Ignacio Iramain atribuiu a crise da ANR a uma disputa por poder e negócios entre Cartes e Peña, enquanto Raúl Benítez ironizou o conflito como uma briga de “galinhas” com um “galo” “meio gagá” e criticou Pedro Alliana por falar em “80 princesos”, corrigindo o número para 43 deputados que, segundo ele, adulam o governo e votam em fila seus projetos.

Iramain vê disputa de poder e negócios entre Cartes e Peña; Benítez ironiza briga interna da ANR

O senador oposicionista Ignacio Iramain atribuiu a crise interna da Associação Nacional Republicana (ANR), o Partido Colorado, a uma disputa por poder, negócios e interesses econômicos entre o movimento Honor Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, e o entorno do presidente Santiago Peña.

Iramain comparou o conflito à “trampa de Tucídides”, conceito usado para descrever o choque entre um poder estabelecido e outro emergente que tenta substituí-lo. Na avaliação do senador, o grupo ligado ao governo acumulou força política e econômica para disputar a liderança tradicional do cartismo dentro da estrutura estatal.

“Não é um partido ideológico, é um partido de negócios”, afirmou Iramain. Ele descreveu o cartismo como um modelo “patrimonial, feudal e vertical” e disse que a ligação entre o Partido Colorado e o Estado provoca disputas pela distribuição de concessões, privilégios e benefícios. Segundo o senador, o partido acaba substituindo o Estado ao explorar a dependência da população em áreas como saúde, educação e transporte.

O senador citou o programa de alimentação escolar Hambre Cero como um possível mecanismo de construção de apoio político entre governadores. Na formulação de Iramain, a distribuição do programa, somada a outras prerrogativas do governo e ao poder de decisão do Executivo, poderia fornecer uma base social e política para o grupo de Peña tentar deslocar o modelo associado a Cartes.

Iramain também relacionou a disputa à credibilidade do Banco Central do Paraguai (BCP), autoridade monetária do país. Ele mencionou a existência de um pedido de investigação envolvendo a instituição, disse aguardar respostas e advertiu que a perda acelerada de confiança poderia aumentar o risco de uma bolha ou de uma ruptura financeira. Essas declarações expressam a avaliação política do senador, sem estabelecer uma conclusão institucional sobre a atuação do BCP.

O oposicionista reconheceu que a fragmentação de seus próprios setores dificulta uma resposta coordenada. Segundo ele, a oposição está concentrada na preparação eleitoral e ainda não conseguiu organizar uma mesa política capaz de analisar a crise com maior profundidade.

O deputado Raúl Benítez evitou aprofundar a disputa interna de Honor Colorado e preferiu ironizar o embate. “Realmente eu, em uma briga de galinhas, em um galinheiro, não quero opinar. As galinhas estão alvoroçadas porque o galo ‘está meio gagá’”, afirmou, em referência a Cartes.

Benítez também rebateu uma declaração do vice-presidente Pedro Alliana sobre a bancada oficialista. Disse que Alliana falou em “80 princesos” e que seria necessário adulá-los, mas corrigiu o número: são 43 deputados de Honor Colorado. Na versão do oposicionista, eles são aduladores que votam em fila os projetos enviados pelo Executivo. Benítez acrescentou que os parlamentares que se rebelam costumam ser “educados” em sessões posteriores por instâncias superiores da estrutura política.

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