Juiz paraguaio critica lei penitenciária de 1970 e pede reforma urgente

O juiz penal José Agustín Delmás afirmou que a legislação penitenciária paraguaia, datada de 1970, está totalmente desatualizada e não atende às necessidades de reinserção social dos condenados. Ele destacou a criação dos juízes de execução como um avanço, mas alertou que o sistema ainda opera com uma lei "totalmente desfasada".

Juiz paraguaio critica lei penitenciária de 1970 e pede reforma urgente
Juiz paraguaio critica lei penitenciária de 1970 e pede reforma urgente

O juiz penal paraguaio José Agustín Delmás criticou duramente o sistema penitenciário do país, classificando a legislação vigente como obsoleta e incapaz de promover a reinserção social dos condenados. Em entrevista à rádio 1020 AM, Delmás afirmou que a Lei Penitenciária 210/70, em vigor desde a década de 1970, não está alinhada com o Código de Execução Penal e precisa ser urgentemente modernizada.

“Temos uma lei penitenciária totalmente desfasada, que não acompanha o Código de Execução Penal. É a Lei 210/70, e estamos falando de uma normativa da década de 70 que atravessa uma série de figuras que precisam ser mudadas”, declarou o magistrado.

Delmás explicou que, antes da criação dos juízes de execução, os condenados ficavam praticamente abandonados pelo sistema judicial após a sentença, sem qualquer controle efetivo sobre sua situação ou processo de reinserção. “Praticamente o juiz não tinha ingerência e essa pessoa condenada era esquecida pelo sistema de justiça. Quem controlava essa reinserção social? Era como jogar papéis em um baú e esquecer”, comparou.

Ele reconheceu que a criação dos juízes de execução representou um avanço, mas destacou que a reinserção social, prevista na Constituição Nacional, é uma meta difícil de alcançar em regimes penitenciários fechados. “É praticamente impossível, não só no Paraguai, mas na maioria dos países do mundo. É muito difícil que haja essa reinserção, porque a condenação também provoca um desenraizamento da pessoa com sua família”, afirmou.

O juiz também alertou para o fenômeno de que as prisões se tornam “universidades do crime”, onde muitos internos acabam reincidindo ou agravando sua situação. Para Delmás, é necessária uma reforma integral que modernize as condições de reclusão, fortaleça o acompanhamento judicial e crie mecanismos mais eficazes de reabilitação.