Uma decisão judicial da juíza civil de Curuguaty, Sonia Medina Paredes, desencadeou um conflito por uma propriedade rural que envolve uma produção de 900 hectares de chia e uma comunidade indígena estabelecida há décadas. Produtores e líderes indígenas alegam que a magistrada, que já havia sido recusada duas vezes no caso, emitiu uma resolução para beneficiar um candidato a prefeito.
A medida judicial permitiria o ingresso de Julio Vera, candidato do Partido Colorado à prefeitura de Yasy Cañy, em um imóvel que, segundo os denunciantes, ele nunca ocupou. O objetivo seria intervir na colheita da chia, que pertence ao produtor Luis Ferreira e estava prestes a ser iniciada.
A área em disputa também abrange um setor onde vive a comunidade indígena Arroyo Mokoĩ, composta por 45 famílias. O líder indígena Martín Sosa afirmou que cerca de 244 hectares da comunidade são afetados pela decisão. No local, existem moradias construídas pelo Ministério de Urbanismo, Vivienda y Hábitat (MUVH), uma escola e um posto de saúde. Sosa expressou preocupação com as dificuldades de acesso que as famílias já enfrentam.
Eduardo Vázquez, representante legal do produtor Luis Ferreira, classificou a decisão como uma "aberração jurídica", argumentando que uma juíza recusada não pode emitir resoluções enquanto o incidente não for resolvido. Ele anunciou que irá denunciar a magistrada ao Jurado de Enjuiciamiento de Magistrados (JEM) por suposto prevaricato e associação criminosa, solicitando sua remoção.
A juíza Sonia Medina Paredes foi contactada, mas preferiu não se pronunciar sobre o caso, justificando que estava viajando. O candidato Julio Vera não compareceu à propriedade; uma advogada que o representava foi retirada do local por integrantes da comunidade indígena. Indígenas e trabalhadores permanecem em alerta para evitar novas tentativas de ingresso na área.
