O governo do Paraguai enfrenta desafios significativos para reduzir o déficit fiscal ao limite legal de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), conforme estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Apesar de um plano rigoroso de convergência apoiado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o déficit acumulado da Administração Central chegou a ₲ 3,435 trilhões (USD 527,2 milhões) até maio, equivalente a 0,9% do PIB. Quando anualizado, o déficit alcança 2,4% do PIB, pressionado por pagamentos pendentes a fornecedores e pela redução de receitas não tributárias.
O economista e ex-ministro da Fazenda, César Barreto, afirma que a meta de 1,5% é inviável nas condições atuais. Ele destacou que o Tesoro Nacional precisa honrar compromissos já assumidos, incluindo dívidas de aproximadamente USD 1,5 bilhão com fornecedores dos setores farmacêutico e de construção. Barreto sugere que o déficit anualizado deve se manter entre 2,2% e 2,4% do PIB, mesmo com medidas de austeridade implementadas pelo Poder Executivo.
O FMI considera a LRF um pilar fundamental para a estabilidade macroeconômica do Paraguai e insiste no cumprimento estrito da norma. No entanto, a regularização de pagamentos atrasados e a necessidade de transparência nas contas públicas indicam que o ajuste fiscal levará mais tempo do que o previsto. Para Barreto, é essencial redefinir o plano de convergência, reconhecer os passivos não registrados e congelar a estrutura de gastos públicos para evitar novos desequilíbrios financeiros.
