Dois julgamentos de grande repercussão no Paraguai foram retomados nesta segunda-feira, 14 de setembro: o do ex-ministro do Interior Arnaldo Giuzzio, acusado de cohecho passivo agravado, e o do ex-prefeito de Ciudad del Este Miguel Prieto, denunciado por suposta lesão de confiança.
O processo contra Giuzzio, iniciado às 7h no Poder Judiciário de Assunção, está na fase final, com produção e leitura de provas documentais. A audiência havia sido interrompida em 7 de setembro após a advogada Gilvi Quiñónez alegar problemas de saúde.
A acusação foi apresentada em 16 de agosto de 2023 pelos promotores anticorrupção Diego Arzamendia e Jorge Arce. A hipótese do Ministério Público é que Giuzzio, que comandou o Ministério do Interior até fevereiro de 2022 durante o governo de Mario Abdo Benítez, teria mantido contatos e favorecido interesses de Marcus Vinicius Espíndola Marqués de Pauda, apontado na acusação como narcotraficante brasileiro.
Entre os elementos citados na denúncia estão conversas por WhatsApp e supostos encontros entre os dois. A acusação também afirma que Giuzzio utilizou uma caminhonete atribuída a Marcus Vinicius durante férias no Brasil, entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022. O ex-ministro nega as acusações, e a decisão caberá ao tribunal após a análise das provas e dos argumentos da defesa.
Às 8h, foi retomado em Ciudad del Este o julgamento de Miguel Prieto, ex-prefeito e líder do partido Yo Creo. A sessão prevê a leitura do auto de abertura e os argumentos iniciais do Ministério Público e da defesa.
Conhecida como Caso Tía Chela, a ação investiga uma suposta operação de compras direcionadas realizada em 2020, durante a emergência sanitária provocada pela covid-19. Segundo a acusação, a prefeitura teria adquirido diretamente 25 mil kits de cestas básicas, destinados a famílias vulneráveis, de uma pequena mercearia de bairro que deu nome ao processo.
O Ministério Público estima que a operação tenha causado prejuízo superior a 2,13 bilhões de guaranis aos cofres municipais. A cifra e a responsabilidade individual dos acusados ainda serão examinadas no julgamento; até eventual sentença definitiva, as acusações permanecem sob contestação judicial.
