Lagoa de Itá precisa de dragagem urgente para evitar seca e superpopulação de jacarés

A lagoa de Itá precisa de dragagem urgente para evitar que seque e para controlar a superpopulação de jacarés, segundo alertas ambientais e técnicos.

Lagoa de Itá precisa de dragagem urgente para evitar seca e superpopulação de jacarés

A lagoa de Itá, um dos poucos espaços na Grande Assunção onde é possível interagir com a fauna local, precisa de atenção urgente para manter seu volume de água e evitar a superpopulação de jacarés, seu principal atrativo. Localizada a cerca de 40 quilômetros da capital, no centro da cidade de Itá, o reservatório atrai visitantes semanais que buscam observar os répteis.

Integrantes do grupo Salvemos la Laguna de Itá, liderados pelo advogado e ambientalista Óscar Pintos, alertam que são necessárias intervenções baseadas em diagnósticos técnicos já realizados. O Ministério do Ambiente MADES coletou amostras de água e solo e concluiu que a lagoa precisa ser dragada para evitar que seque com o tempo. No entanto, a tarefa é complexa, pois não se pode remover a camada de argila do fundo, que impede a infiltração da água.

Mario Alonso, da Direção de Desenvolvimento Social e Gestão Ambiental da cidade, confirma que o pedido de dragagem foi feito há muito tempo, mas ainda não houve resposta. A Prefeitura de Itá é responsável pela limpeza perimetral e cuidados do local, mas para uma intervenção mais profunda seria necessário o apoio do MADES, do governo central e da Governação do Departamento Central.

Alonso lembra que a seca de 2014 causou grande preocupação e, desde então, foram feitas gestões, mas nenhuma obra de grande porte foi concretizada. Atualmente, quando o nível da água diminui, a lagoa é recarregada bombeando água de um poço artesiano. Em épocas de chuva forte, a lagoa transborda e alguns jacarés escapam, causando temor na vizinhança.

Pintos aponta que a urbanização agravou a situação, pois a substituição de caminhos de terra por calçadas e asfalto reduziu a capacidade de absorção do solo, direcionando mais água da chuva para a lagoa. Sobre a saúde dos animais, Alonso explica que os jacarés não recebem atendimento médico regular e são supervisionados pela equipe de limpeza do parque.

Alberto Cardozo, que trabalha no local há mais de 20 anos, estima que existam entre 70 e 80 jacarés na lagoa. Eles se alimentam de peixes que se reproduzem na água, como tilápias, tare'ýi, piranhas e tartarugas. O local também atrai aves aquáticas, como patos e garças.

Um dos principais problemas é o lixo deixado por visitantes. Alonso pede conscientização, pois há relatos de jacarés que morreram engasgados com fraldas e embalagens de comida. Em janeiro deste ano, ocorreu um episódio de mortandade de peixes, possivelmente devido à contaminação da água.

A superpopulação de jacarés é outra preocupação, pois os animais se reproduzem rapidamente em cativeiro e começam a agredir uns aos outros, resultando em ferimentos como caudas mutiladas. Pintos espera que a nova gestão municipal, após as eleições deste ano, priorize a elaboração de um plano sério para a lagoa, com possível financiamento de binacionais e apoio de organizações especializadas.

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Fontes (1)

Atualizado: 3 de ago. de 2026, 01:31