Mauro Barreto denuncia suposta corrupção no MP e na Justiça de Ciudad del Este

O advogado Mauro Barreto acusou, sem apresentar provas ou apurações independentes, a existência de um esquema de cobranças ilegais no Ministério Público e na Justiça de Ciudad del Este e criticou supostos privilégios e proteção entre ministros da Corte Suprema.

Mauro Barreto denuncia suposta corrupção no MP e na Justiça de Ciudad del Este

O advogado Mauro Barreto, ex-presidente do Colegio de Abogados de Alto Paraná, afirmou que um suposto esquema de arrecadação ilegal continua funcionando no Ministério Público e no sistema judicial de Ciudad del Este. As declarações, feitas em entrevista radiofônica, envolvem acusações graves contra autoridades e não foram acompanhadas, nas informações disponíveis, por documentos ou apurações independentes que as comprovem.

Barreto disse que fiscais e funcionários ligados a investigações de marcas, contrabando, cigarros e drogas seriam pressionados a pagar valores periódicos para evitar operações. Também afirmou que casos poderiam ser direcionados a determinadas promotorias ou varas judiciais mediante pagamento. Segundo ele, o mecanismo teria sido consolidado durante o período associado a Hugo Velázquez e permaneceria ativo.

O advogado citou ainda uma suposta redução das apreensões de grandes carregamentos de drogas no lado paraguaio, enquanto autoridades brasileiras interceptariam parte dessas cargas. A comparação, porém, foi apresentada apenas como opinião de Barreto: não foram fornecidos números oficiais, séries estatísticas ou decisões judiciais que permitam verificar a extensão do fenômeno.

As acusações alcançaram o fiscal-geral do Estado, Emiliano Rolón. Barreto afirmou que Rolón teria conhecimento de pagamentos em forma de “maletas” provenientes de Ciudad del Este e, por isso, não romperia o sistema. A declaração não traz evidências de que o titular do Ministério Público tenha recebido dinheiro ou participado de qualquer irregularidade. Barreto também avaliou positivamente o relacionamento inicial com o fiscal adjunto Celso Sanabria, que já trabalhou na cidade.

Em outro conjunto de declarações, Barreto criticou a Corte Suprema de Justiça e acusou seus ministros de protegerem uns aos outros. Ele mencionou questionamentos sobre Analía Carrillo, identificada como nora do presidente da Corte, Alberto Martínez Simón, e sobre Verónica Sienra, esposa do ministro Luis María Benítez Riera e diretora de garantias constitucionais. As críticas se referem a supostos privilégios funcionais e não estabelecem, por si só, ilegalidade.

O advogado afirmou que o Colegio de Abogados de Alto Paraná e a Asociación de Abogados del Interior já pediram a revisão de nomeações. Também criticou uma mudança legislativa relacionada aos superintendentes das circunscrições judiciais, dizendo que a medida teria preservado a influência dos mesmos ministros nas regiões. Barreto sustentou que denúncias anteriores nunca resultaram em auditorias amplas, mas não apresentou, nas entrevistas, os textos legais ou documentos que permitam confirmar sua interpretação.

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