Médicos do Paraguai iniciam greve nacional por reajuste salarial e insumos

Médicos do Paraguai iniciaram greve nacional de cinco dias, com suspensão de consultas e cirurgias eletivas, para exigir reajuste salarial, fim de contratos precários e reposição de insumos, enquanto o governo alega falta de recursos para atender às demandas.

Médicos do Paraguai iniciam greve nacional por reajuste salarial e insumos

Médicos do setor público iniciaram nesta segunda-feira (24) uma greve nacional que se estenderá até sexta-feira (28), em protesto contra a falta de reajuste salarial e condições precárias de trabalho. A paralisação, convocada pelo Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed), afeta cerca de 1,5 mil centros de saúde em todo o país, com suspensão de consultas ambulatoriais e cirurgias programadas, mas mantém serviços essenciais como urgências, terapia intensiva e diálise.

Os profissionais reivindicam a recuperação do poder aquisitivo perdido desde 2012, quando o salário-base equivalia a 2,8 salários mínimos, contra 1,5 atualmente. O Sinamed exige um reajuste que eleve o piso para cerca de 8,9 milhões de guaranis mensais por vínculo de 12 horas semanais, além da regulamentação de contratos precários — dos 11 mil médicos do sistema público, 9 mil são contratados, muitos com mais de dez anos na mesma condição. Também pedem o pagamento em dobro por feriados trabalhados e a reposição de medicamentos e insumos.

Desde as primeiras horas da manhã, milhares de médicos se concentraram no antigo Seminário Metropolitano, em Assunção, de onde partiram em caravana rumo ao Ministério da Saúde Pública. A marcha seguiu até o Ministério da Economia e Finanças, onde os manifestantes exigiram respostas das autoridades. A secretária-geral do Sinamed, Rossana González, alertou que, caso não haja diálogo, o movimento poderá se tornar indefinido. "Não vamos colocar em risco a vida dos pacientes, mas precisamos de soluções concretas", afirmou.

O Instituto de Previsão Social (IPS) informou que seus serviços funcionarão normalmente durante a greve, embora médicos da instituição apoiem os colegas do Ministério da Saúde. No Hospital Central do IPS, pacientes relataram dificuldades para obter medicamentos, como um fármaco oncológico cujo fornecimento está irregular há um mês. A Associação Médica do IPS reconhece que seus profissionais enfrentam condições semelhantes ou piores, mas optou por não aderir à paralisação para evitar prejuízos aos segurados.

A ministra da Saúde, María Teresa Barán, afirmou que o governo não pode atender às demandas salariais por falta de recursos, estimando um impacto de até 150 milhões de dólares no orçamento. Barán defendeu a criação de uma carreira sanitária que diferencie salários por especialização, em vez de um piso único para todos os médicos. Enquanto isso, profissionais do interior denunciam que a falta de insumos e infraestrutura obriga pacientes a arcar com custos adicionais, como medicamentos e transporte.

Em Ciudad del Este, médicos do Hospital Regional criticaram a desconexão entre o discurso de crescimento econômico e a realidade dos profissionais, que arcam com despesas como combustível e manutenção de unidades de saúde. Em Guairá, mais de cem médicos viajaram a Assunção para protestar, enquanto colegas que permaneceram garantiram a continuidade dos serviços essenciais. "Fazemos malabarismos para manter o sistema funcionando", resumiu uma médica da região.

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Fontes (22)

Atualizado: 25 de ago. de 2026, 01:00