O setor privado paraguaio alertou ao governo que o custo do pedágio no trecho argentino da Hidrovía Paraná-Paraguay pode, em certos momentos, superar a margem de lucro dos produtos agrícolas exportados por essa via. O alerta foi feito pelo presidente da Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais (Cappro), Raúl Valdez, durante uma reunião do Conselho de Logística presidida pelo presidente Santiago Peña.
Valdez explicou que a tarifa atual de US$ 1,30 por tonelada de registro líquido foi inicialmente considerada transitória e deveria estar vinculada a uma mesa técnica para avaliar o valor e o nível de serviço prestado. No entanto, com a entrada do novo concessionário do trecho argentino, a empresa belga Jan De Nul, a tarifa não foi revista e não houve melhoria no serviço, mantendo os usuários paraguaios insatisfeitos.
O dirigente destacou que o impacto vai além do valor pago diretamente. Em determinadas situações de mercado, o montante desembolsado com o pedágio pode ser maior do que a margem obtida na comercialização dos commodities agrícolas que dependem da hidrovía para chegar aos portos de exportação. Essa situação coloca em risco a competitividade das exportações paraguaias.
Diante da reclamação, o presidente Peña instruiu ao Ministério das Relações Exteriores que lidere a definição de uma estratégia técnica e diplomática para abordar a questão do pedágio com a contraparte argentina. O objetivo é encontrar mecanismos de solução agora que a concessão do trecho argentino do rio Paraná foi formalmente adjudicada.
Além da questão tarifária, o setor privado defendeu o fortalecimento da institucionalidade paraguaia relacionada à hidrovía. Valdez argumentou que o país precisa atualizar e dar maior peso às entidades responsáveis pela governança do corredor fluvial, o que permitiria uma gestão interna mais moderna e uma posição mais robusta nos fóruns internacionais.
A visão apresentada é de que a hidrovía deve ser desenvolvida de forma integral, considerando-a como um sistema único. Qualquer obra ou melhoria no trecho paraguaio precisa estar interligada com os sistemas de concessão dos outros países da bacia, como Brasil e Argentina, para evitar um modelo desequilibrado com múltiplos pedágios e custos elevados que não se conectam.
Sobre o projeto de concessão do trecho brasileiro, que também está em andamento, Valdez afirmou que o setor apoia iniciativas privadas de melhoria da infraestrutura. No entanto, advertiu que qualquer mudança deve ser analisada sob a ótica da integração regional e com a participação ativa dos usuários, algo que, segundo ele, não ocorreu no processo argentino e que espera que seja diferente no caso do Brasil.
