Menocchio quebra silêncio e alega proteção no Paraguai; nunca foi julgado por assassinato de Maciel

Luis Raúl Menocchio, condenado à prisão perpétua na Argentina, alegou em entrevista ter gozado de proteção política no Paraguai e negado participação nos assassinatos de Eduardo Maciel e Graciela Méndez, crimes pelos quais nunca foi julgado no país vizinho por ter fugido antes do processo.

Menocchio quebra silêncio e alega proteção no Paraguai; nunca foi julgado por assassinato de Maciel

Luis Raúl Menocchio, conhecido como "El Gusano" e condenado a duas penas de prisão perpétua na Argentina, quebrou o silêncio após 15 anos em entrevista à Revista Anfibia para negar os assassinatos pelos quais foi sentenciado. O argentino detalhou sua passagem pelo Paraguai durante a ditadura de Alfredo Stroessner, afirmando ter gozado de proteção política e operado negócios lucrativos antes de fugir do país sem nunca ser julgado por um dos crimes mais brutais da história recente paraguaia.

Segundo o relato de Menocchio, sua família chegou ao Paraguai após seu pai oferecer refúgio a Heriberta Stroessner, irmã do ditador. Esse vínculo teria garantido acesso à residência presidencial Mburuvicha Róga e facilitado seus negócios, incluindo empresas de televisão a cabo em Encarnação. Ele afirmou organizar festas frequentadas por políticos influentes e empresários, com presença de modelos trazidas de helicóptero. No entanto, alegou que perdeu seus protetores políticos após processos por piratería de sinais e venda fraudulenta, tendo suas operações de cabo vendido ao Grupo Clarín sem receber o valor pactado.

O caso que motivou sua fuga foi o desaparecimento e assassinato do empresário Eduardo Maciel e de sua companheira Graciela Méndez, em agosto de 2004. Os corpos foram encontrados dentro de tambores metálicos selados com cimento. Menocchio negou participação, dizendo ter conhecido as vítimas apenas naquela noite no bar Puerto Madero, onde perdeu uma aposta de US$ 500 e deixou um relógio Rolex como garantia. Ele sustentou que testemunhas foram pagas por rivais comerciais e que autoridades judiciais paraguaias conspiraram para incriminá-lo e tomar seus bens. Crucialmente, Menocchio nunca foi julgado no Paraguai por este duplo homicídio porque fugiu antes do processo.

A fuga foi descrita como cinematográfica: após um fiscal alertar seu advogado sobre uma ordem de morte caso fosse preso, Menocchio cruzou a fronteira com a Argentina a pé, utilizando uma balsa de verduras (contrabando hormiga) no rio Pilcomayo, na região de Clorinda. Levava uma mochila com US$ 1 milhão em dinheiro vivo. Ao chegar a Buenos Aires, embarcou em um ônibus para a casa de Claudio Nozzi, adotou a identidade falsa de Hugo Jara e realizou cirurgias plásticas.

Menocchio também se pronunciou sobre outros crimes. Sobre a morte de Nozzi, em 2005, cujo corpo foi achado no rio Paraná com disparos, correntes e âncoras de seu iate, ele atribuiu o fato a uma armadilha policial, alegando que as marcas de sangue eram de peixes e que Nozzi havia recebido US$ 10 milhões dele para projetos. Quanto ao latifúndio La Fidelidad, no Chaco argentino, há divergência nas fontes quanto ao tamanho exato das terras (entre 130 mil e 150 mil hectares). Menocchio insistiu ser o legítimo proprietário, acusando grupos ligados ao ex-secretário de Manuel Roseo — assassinado em 2011 junto com Nélida Bartolomé — de orquestrarem o crime para facilitar a expropriação das terras para a criação de um parque nacional. Ele se descreveu como o "bode expiatório perfeito" devido aos antecedentes judiciais.

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Fontes (2)

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