Estudante questiona perseguições da ditadura em língua de sinais durante visita em Assunção

Uma aluna da Primera Escuela Paraguaya de Sordos perguntou em língua de sinais por que paraguaios eram perseguidos durante uma visita matinal à Plaza de los Desaparecidos, em Assunção, onde Néstor Vera explicou a perseguição a quem reivindicava melhores condições de trabalho e direitos humanos durante a ditadura de Stroessner; a atividade, que integrou uma série de três notas sobre memória histórica, também reuniu vítimas e familiares, enquanto a Comissão de Verdade e Justiça estima cerca de 107.987 familiares afetados, além de registrar 20.090 vítimas diretas.

Estudante questiona perseguições da ditadura em língua de sinais durante visita em Assunção

Uma estudante de cerca de 11 anos da Primera Escuela Paraguaya de Sordos perguntou, em língua de sinais, por que paraguaios eram perseguidos durante uma atividade de memória histórica realizada pela manhã, na sexta-feira, na Plaza de los Desaparecidos, em Assunção. A pergunta ocorreu diante de vítimas da ditadura de Alfredo Stroessner e de 16 alunos da instituição.

A visita foi organizada no marco do Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados, celebrado em 30 de agosto. Néstor Vera, militante histórico dos direitos humanos, usou como exemplo a greve nacional de médicos: explicou que, durante o regime de Stroessner, pessoas que reivindicavam melhores condições de trabalho e um Paraguai livre de violações de direitos humanos podiam ser perseguidas.

Também participaram Rogelio Goiburú, ativista e filho do médico Agustín Goiburú, desaparecido durante a ditadura, e Celsa Ramírez, vítima de detenção arbitrária e tortura. Em conversa com a Última Hora, Goiburú descreveu que o encontro reabriu a dimensão humana de um período marcado por violência e perdas que ainda permanecem sem encerramento para muitas famílias.

A Comissão de Verdade e Justiça, órgão criado em 2003 para investigar violações de direitos humanos no Paraguai entre 1954 e 2003, registrou 20.090 vítimas diretas da ditadura. O levantamento aponta 19.862 detenções arbitrárias ou ilegais, 8.772 casos de tortura, 59 assassinatos pelo terrorismo de Estado, 336 desaparecimentos e 3.470 exílios políticos forçados. O relatório estima que o número de familiares afetados rondaria 107.987.

Durante o percurso, os estudantes conheceram o Contramonumento de Carlos Colombino, formado por blocos de concreto que aprisionam simbolicamente a figura de Stroessner. A obra homenageia as vítimas e funciona, na descrição apresentada na atividade, como um lembrete simbólico para atores negacionistas.

O projeto começou em abril, como iniciativa das professoras Rocío Duarte e Fátima Morínigo ligada às atividades do Dia do Livro, e terminou com a visita à praça. A diretora Gloria Ortigoza disse que a proposta era ensinar por que o local se chama Plaza de los Desaparecidos e explicar conceitos como desaparecimento forçado e detenção, aproximando os alunos da história do país. Esta publicação integra uma série de três notas sobre memória histórica.

A Primera Escuela Paraguaya de Sordos tem atualmente 24 estudantes; 90% são surdos ou têm deficiência auditiva. A escola também atende alunos com transtorno do espectro autista e falantes de guarani. Segundo Ortigoza, a escassez de intérpretes e a limitada presença da língua de sinais nas instituições continuam sendo barreiras de comunicação e inclusão.

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Fontes (1)

Atualizado: 31 de ago. de 2026, 01:00