A Presidência da República do Paraguai emitiu um comunicado nesta terça-feira, 22 de setembro, negando a ocorrência de um furto na residência oficial, Mburuvicha Róga. A nota classifica as informações como falsas e afirma que não houve nenhum evento real dentro do recinto que afetasse a normalidade operacional, enquanto o presidente Santiago Peña cumpre agenda nos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Apesar da negativa oficial, fontes oficiosas consultadas pela ABC Color relataram que o Regimiento Escolta Presidencial (REP) investiga uma possível violação de fechaduras no quarto principal da residência, conectado ao vestidor do presidente. Segundo essas versões, o incidente teria ocorrido no sábado anterior, aproveitando-se de pontos cegos nas câmeras de vigilância. A investigação interna é conduzida pelo tenente-coronel Abilio Giménez, chefe de Inteligência do REP, com interrogatórios ao pessoal de segurança militar sob a supervisão do general Alcides Lovera, chefe do Gabinete Militar. As fontes mencionam ainda advertências de baixas e transferências para a prisão de Viñas Cué, além da expectativa de um inventário formal após o retorno de Peña.
O episódio reacende o debate sobre o escândalo "Los Sobres del Poder". Em 2025, Luz Maribel Candado, ex-coordenadora de serviços da residência, denunciou ter sido submetida irregularmente a testes de polígrafo junto com seu marido e filho menor, após a descoberta de envelopes contendo US$ 200 mil em dinheiro vivo. Os valores foram encontrados entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025 e entregues por Candado diretamente ao presidente em 17 de junho de 2025. Ela foi demitida em 24 de julho, seguida pelos familiares Liliana e Fabrizio Romero, também contratados pelo Gabinete Civil.
O senador oposicionista Rafael Filizzola (PDP) utilizou a sessão ordinária do Senado para questionar a gestão de recursos na presidência. Ele argumentou que a discussão não deve se limitar a quem possa ter furtado o dinheiro, mas investigar a origem e a razão da existência de grandes quantias em espécie na residência oficial. "O que faz dinheiro em espécie na residência presidencial?", indagou o legislador, cobrando transparência sobre o manejo de fundos públicos e privados no local.
Filizzola criticou também a campanha publicitária governamental "Paraguay Gigante", apontando contradição entre o gasto em comunicação e a alegada falta de recursos para saúde e educação. Além disso, o senador reforçou suas cobranças sobre a fiscalização do Banco Central do Paraguai (BCP) em relação ao Ueno Bank, questionando a capacidade do órgão regulador e pedindo mudanças na condução da entidade para evitar riscos aos poupadores e aos cofres públicos.
Por fim, Filizzola condenou o recente encontro de Santiago Peña com Delcy Rodríguez, presidenta encarregada de Venezuela, realizado em 19 de setembro no Palacio de Miraflores. O parlamentar contrastou essa aproximação diplomática, destinada a restabelecer relações rompidas em janeiro de 2025, com a reação do oficialismo frente às declarações anteriores da senadora Esperanza Martínez sobre as eleições venezuelanas. "Acá por poco no le quemaron viva a Esperanza Martínez", afirmou Filizzola, criticando a política externa do governo.
