O setor conhecido como “La Lengua”, no Barrio Jara, em Assunção, concentra denúncias de venda de crack, maconha e cocaína, além de roubos, agressões e conflitos com moradores. A área fica próxima à avenida Artigas e à antiga via férrea, onde foram formados assentamentos precários ligados à ocupação gradual da faixa ferroviária e à instalação de famílias afetadas por enchentes.
O bairro é majoritariamente residencial e comercial, com escolas, universidades e centros de atendimento, mas a realidade muda nas proximidades da rua Doctor Pedro Ciancio. Ruas estreitas e passagens entre casas improvisadas são apontadas por policiais como esconderijos de distribuidores de drogas. Segundo agentes de três comissarias que atendem a região, as ocorrências estão associadas principalmente ao microtráfico.
Moradores relatam que os problemas incluem furtos em residências e áreas externas, poluição sonora e represálias contra quem chama a polícia. Um homem de mais de 70 anos teria sido atacado depois de reclamar do volume de uma festa. A denúncia afirma que pedras foram lançadas contra a casa, quebrando uma janela e danificando a motocicleta do filho.
Também há queixas sobre a ocupação de um trecho da rua Ciancio por 13 famílias. Uma decisão judicial de despejo estaria definitiva, mas ainda não teria sido cumprida. Uma moradora, que pediu anonimato por medo de ameaças, atribuiu a demora a suposta proteção política e afirmou que os ocupantes seriam ligados ao Partido Colorado (ANR). Essa alegação não foi corroborada por documentos ou por uma manifestação oficial apresentada nas informações disponíveis.
O funcionamento do mercado de drogas dificulta as operações. Um policial descreveu uma sucessão de prisões: quando um ponto de venda é fechado, outro morador assume a atividade porque os consumidores continuam na área. Com a libertação de suspeitos por medidas alternativas à prisão, antigos e novos pontos acabam voltando a operar, segundo o agente.
A Polícia Nacional, unidades antinarcóticos e a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), órgão responsável pelo combate ao narcotráfico no Paraguai, atuam no setor. Ainda assim, moradores afirmam que câmeras instaladas por iniciativa comunitária foram destruídas menos de um mês depois e que muitos detidos retornam rapidamente às ruas. As declarações refletem relatos locais e policiais, mas não incluem dados oficiais consolidados sobre o número de pontos de venda, prisões ou processos judiciais.
As denúncias contrastam com a imagem histórica do Barrio Jara, antigo Quinta Jara, apresentado pela Municipalidad de Asunción em 2020 como uma área residencial em crescimento. A transformação da antiga faixa ferroviária em assentamentos sem circulação regular de veículos e com infraestrutura precária criou um ponto de tensão entre a expansão urbana, a falta de serviços e a atuação das forças de segurança.
