Mirtha Arias assume no Conselho do IPS sob críticas de assegurados e promete combater desabastecimento

A presidente da Central Unitaria de Trabajadores (CUT), Mirtha Arias, assumiu como nova conselheira do Instituto de Previsão Social (IPS) em representação dos trabalhadores, após a renúncia de Víctor Insfrán Dietrich. Enquanto promete priorizar o combate à falta de medicamentos e à evasão patronal, setores de assegurados questionam sua nomeação, alegando alinhamento com interesses patronais e políticos.

Mirtha Arias assume Conselho do IPS em meio a promessas e críticas de segurados
Mirtha Arias assume Conselho do IPS em meio a promessas e críticas de segurados

Mirtha Alzira Arias Noguera assumiu oficialmente nesta segunda-feira como membro titular do Conselho de Administração do Instituto de Previsão Social (IPS), representando os trabalhadores assegurados. A designação foi formalizada pelo Decreto Nº 6026, assinado pelo presidente Santiago Peña em 13 de maio, e ocorreu em sessão de honra no gabinete da Presidência do IPS, em Assunção.

A nova conselheira, que também preside a Central Unitaria de Trabajadores (CUT), substitui Víctor Eduardo Insfrán Dietrich, que renunciou em meio a questionamentos sobre sua gestão e a um processo de reestruturação interna impulsionado pelo governo. Durante o ato, Arias destacou sua trajetória como dirigente de base e prometeu manter proximidade com os trabalhadores. “As esperanças estão depositadas em nós para melhorar esta casa, este instituto e a saúde dos trabalhadores em geral”, afirmou.

Entre as prioridades declaradas, Arias enfatizou o combate ao desabastecimento de medicamentos e a redução dos prazos de licitação para agilizar o fornecimento de insumos. “A falta de medicamentos, de turnos e de um atendimento rápido é o que precisamos melhorar. Não pode ser que uma pessoa adoeça hoje e receba um turno para daqui a dois meses”, disse. Ela também mencionou a necessidade de ampliar a cobertura de jovens trabalhadores e melhorar programas de saúde materno-infantil e atenção a idosos.

Apesar do discurso de renovação, a nomeação gerou críticas de setores de assegurados. Julio López, presidente da Associação Nacional de Asegurados do IPS, argumentou que as cúpulas de certas centrais sindicais frequentemente atuam em consonância com interesses patronais ou governamentais, em detrimento das urgências dos segurados. Organizações de trabalhadores exigem mecanismos de eleição mais democráticos para o cargo, atualmente preenchido por designação presidencial.

O presidente do Conselho do IPS, Isaías Fretes, deu boas-vindas à nova conselheira e a instou a trabalhar pelo fortalecimento institucional. A cerimônia contou com a presença da ministra do Trabalho, Mónica Recalde, e dos conselheiros Jimmy Jiménez (Saúde), Bettina Albertini (Trabalho) e Emilio Argaña (empregadores), além de representantes de centrais sindicais.

Enquanto isso, a crise no sistema de saúde pública segue exposta. No Hospital Regional de Caacupé, pacientes relataram condições precárias, com falta de medicamentos essenciais como amlodipina e enalapril, salas de internação com mofo e umidade, e longas filas na madrugada para conseguir atendimento. O diretor da Terceira Região Sanitária, Luis Gómez, reconheceu a falta momentânea de insumos e afirmou que a reposição foi solicitada. Já o presidente do IPS, Isaías Fretes, visitou o hospital regional de Concepción e admitiu “muitas falências”, citando a escassez de anestesistas como um problema crônico.