MITIC denunciou só 2 de 14 contas da campanha sucia contra opositores

O MITIC confirmou ter denunciado apenas duas das pelo menos 14 contas em redes sociais ligadas à "campaña sucia" contra opositores, jornalistas e veículos de imprensa críticos ao governo de Santiago Peña, informação considerada insuficiente por parlamentares que investigam o caso.

O Ministério de Tecnologias de la Información y Comunicación (MITIC) confirmou ter denunciado apenas duas das pelo menos 14 contas em redes sociais ligadas à chamada "campaña sucia" contra políticos opositores, jornalistas e veículos de imprensa críticos ao governo de Santiago Peña. A informação consta da resposta enviada à Câmara de Deputados, dentro do prazo legal que venceu nesta semana, e foi considerada insuficiente por parlamentares que investigam o caso.

O ministro Gustavo Villate respondeu ao pedido de informações apresentado pelo deputado Raúl Benítez (Independente) sobre contratos firmados entre o Estado paraguayo e a empresa colombiana Digimarketing SAS, agência que gastou milhares de milhões de guaranis em anúncios digitais. Do total de 65 anúncios veiculados no Google e no YouTube, 74% foram destinados a atacar críticos do governo, enquanto 26% promoveram programas estatais como Che Roga Pora, Hambre Cero e Sumar.

Na resposta, Villate negou qualquer vínculo formal com a Digimarketing, mas não explicou como uma empresa estrangeira financiou publicidade governamental sem autorização aparente, já que plataformas como Google e YouTube exigem aval do governo para identificar peças como publicidade estatal. O MITIC informou que, por meio do CERT-PY, realizou denúncias formais apenas contra as páginas "Despierta Paraguay" e "Sucia Política", ignorando outras 12 contas que operam com o mesmo modus operandi de defesa do governo e ataque a adversários.

O ministro também se esquivou de detalhar os gastos com publicidade em redes, alegando que as informações já constam no portal da Dirección Nacional de Contrataciones Públicas (DNIT). Sobre a possibilidade de financiamento por meio de outras instituições, como as binacionais, Villate afirmou que cada repartição do Poder Executivo gerencia de forma autônoma suas próprias contratações e que apenas elas poderiam fornecer tais dados.

A resposta do MITIC é vista com desconfiança por parlamentares, uma vez que o próprio presidente Santiago Peña, o ministro Villate e a viceministra de Comunicação, Alejandra Duarte Albospino, negaram anteriormente qualquer vínculo formal com Juan Roberto "Jimmy" Villaverde, apontado como um dos articuladores da campanha. Posteriormente, documentos confirmaram que Villaverde integrava a estrutura comunicacional formal da Presidência.

Até o momento, o MITIC não respondeu a um pedido de informações mais detalhado aprovado pelo Senado e apresentado pelo senador Rafael Filizzola (Partido Democrático Progresista), cujo prazo também venceu. O requerimento de Filizzola incluía, entre outros pontos, a exigência de detalhes sobre "execução tercerizada", com informações sobre convênios, acordos ou mecanismos de execução indireta que poderiam ter sido usados para viabilizar os pagamentos à campanha digital.

Fontes (1)

Atualizado: 6 de jun. de 2026, 00:28